Após anunciar a programação do Carnaval do Recife, o prefeito João Campos (PSB) pode estar prestes a viver seu último carnaval como chefe do Executivo municipal. Nos bastidores da Frente Popular, cresce a expectativa de que o socialista, já tratado como pré-candidato ao Governo de Pernambuco, utilize o período momesco para circular pelo estado ao lado da futura chapa majoritária, ou ao menos acompanhado de seus dois pré-candidatos ao Senado.
Aliados relatam que o próprio João Campos teria estipulado o carnaval como marco informal para a definição da chapa. Com a festa a menos de 30 dias, a tendência é de aceleração nas decisões, o que reforça a avaliação de que o senador Humberto Costa (PT) deverá mesmo disputar a reeleição para um terceiro mandato.
A principal indefinição segue sendo o segundo nome ao Senado. A disputa estaria concentrada entre Marília Arraes, Silvio Costa Filho e Miguel Coelho. Apesar do afunilamento, há quem avalie que Marília já teria se conformado com a tentativa de retorno à Câmara dos Deputados. Além disso, como a federação União Progressista dificilmente anunciará um nome até fevereiro, o caminho ficaria aberto para o atual ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, caso o cronograma defendido pelos aliados se confirme.
Ao definir a chapa, João Campos emitiria um sinal político inequívoco de que deixará a Prefeitura do Recife para disputar o Palácio do Campo das Princesas. Mais do que isso, passaria a circular pelos principais polos carnavalescos do estado já vestido de pré-candidato, dando início a movimentos regionais, especialmente em redutos tradicionais como Olinda, Bezerros e municípios da Zona da Mata.
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Expectativa frustrada
No campo adversário, o pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro alimenta a expectativa de montar um palanque em Pernambuco com Anderson Ferreira como pré-candidato ao Senado na chapa de reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD). O PL nacional estaria disposto a oferecer seu robusto tempo de televisão ao PSD, desde que tenha como contrapartida a vaga ao Senado.
Tudo indica, no entanto, que essa expectativa será frustrada. Raquel Lyra mantém uma relação cordial com o presidente Lula e conta com o apoio entusiasmado de ministros estratégicos, como Rui Costa, chefe da Casa Civil.
Dois palanques
A tese de dois palanques de Lula em Pernambuco, antes vista como improvável, passou a ser considerada seriamente pelo Palácio do Planalto. O presidente e seus auxiliares sabem que a disputa nacional, mesmo contra Flávio Bolsonaro, tende a ser acirrada, e a estratégia é ampliar a vantagem no Nordeste para compensar possíveis derrotas no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, repetindo a lógica de 2022.
Por ser um estado estratégico, o PT trabalha para contar tanto com Raquel Lyra quanto com João Campos. O prefeito do Recife, no entanto, tem sido categórico ao dizer a aliados que não quer nem ouvir falar dessa hipótese. O PSB é hoje o único partido, além da federação liderada pelo PT, com presença nacional garantida na coligação de Lula para 2026. Caso essa tese avance, avaliam socialistas, o partido pode perder espaço em estados-chave, como a Bahia, onde ACM Neto se fortalece.






