O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) completa nesta quarta-feira (12) cem dias em prisão domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica e proibido de usar redes sociais ou receber visitantes sem autorização judicial. Durante o período, o ex-mandatário deixou sua residência apenas para exames médicos, enquanto aliados tentam reverter os efeitos políticos da sentença de 27 anos e três meses de prisão, imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A decisão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, após Bolsonaro descumprir medidas cautelares. Desde então, sua casa em Brasília é vigiada 24 horas pela Polícia Penal do Distrito Federal, que revista todos os veículos que entram ou saem do local.
Mesmo sob restrições, o ex-presidente tem recebido visitas autorizadas de familiares, aliados e grupos de oração liderados por Michelle Bolsonaro. A rotina foi interrompida algumas vezes por problemas de saúde, incluindo uma internação em setembro, após queda de pressão arterial e episódio de pré-síncope.
No Congresso Nacional, a prisão do ex-presidente desencadeou manifestações e ocupações de plenários por parlamentares da oposição, que exigem pautas como:
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anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023;
fim do foro privilegiado;
e impeachment do ministro Alexandre de Moraes.
Apesar da pressão, o movimento teve efeitos limitados. Apenas o regime de urgência do chamado PL da Anistia foi aprovado, mas o projeto segue travado por falta de acordo entre base e oposição. O relator Paulinho da Força (Solidariedade-SP) afirma que o texto focará na redução de penas, e não em perdão total, apelidando-o de “projeto da dosimetria”.
Paralelamente, a direita enfrenta impasses internos: disputas regionais, o impacto do tarifaço de Donald Trump e as divergências sobre uma candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) à Presidência em 2026. A família Bolsonaro tenta manter influência, com Eduardo e Michelle despontando como possíveis alternativas.
Na semana passada, o STF manteve por unanimidade a condenação de Bolsonaro por tramar um golpe de Estado, a primeira desse tipo na história do Brasil. Com o recurso rejeitado, cresce a possibilidade de que ele seja preso em regime fechado já no próximo mês, caso se esgotem os recursos.
A defesa do ex-presidente ainda pretende recorrer por meio de embargos de declaração e, possivelmente, embargos infringentes – embora esses só caibam em casos com votos pela absolvição, o que não ocorreu.
Com o avanço do processo e a manutenção da pena, Bolsonaro segue recluso, vigiado e isolado, enquanto o cenário político à sua volta permanece em ebulição.






