O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o Itamaraty, manifestou "profunda indignação" à embaixada dos Estados Unidos nesta sexta-feira (8), após uma publicação feita no X (antigo Twitter) por um perfil vinculado ao governo Trump, que atacou o ministro do STF, Alexandre de Moraes, e sugeriu sanções contra o Brasil.
A reação brasileira veio após o perfil oficial da representação americana republicar, em português, uma mensagem do Departamento de Estado dos EUA que chamou o ministro de "arquiteto da censura e perseguição" ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente réu no Supremo Tribunal Federal por suposta tentativa de golpe de Estado em 2022.
A publicação também afirmou que Washington estaria "monitorando de perto a situação", gerando forte reação diplomática em Brasília. Segundo uma fonte da Chancelaria ouvida pela AFP, “ameaçar as autoridades de um país democrático é inaceitável”.
Diante do episódio, o encarregado de negócios dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar — que lidera a embaixada americana na ausência de um embaixador — foi convocado ao Itamaraty, onde foi recebido pelo secretário interino para a Europa e América do Norte, Flavio Goldman.
Esta é a quarta vez que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva convoca o representante dos Estados Unidos desde o início do novo mandato de Donald Trump, em janeiro de 2025.
Nos últimos meses, a embaixada americana tem feito diversas postagens críticas a Alexandre de Moraes, relator da ação contra Bolsonaro e mais de 30 réus envolvidos na tentativa de golpe. O governo Trump, por sua vez, suspendeu o visto diplomático de Moraes e o sancionou com base na Lei Magnitsky — legislação que permite aos EUA punir estrangeiros acusados de violações de direitos humanos.
Além disso, Trump impôs nesta semana tarifas punitivas de 50% sobre produtos brasileiros, alegando haver no país uma “caça às bruxas” contra seu aliado político Jair Bolsonaro.
A escalada de tensão diplomática entre os dois países coloca em alerta o Itamaraty, que tem buscado manter uma postura firme, porém equilibrada, diante dos recentes movimentos da Casa Branca.






