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Itália investiga participação de cidadãos em “safáris humanos” durante a Guerra da Bósnia

Por Redação Arcoverde Agora
Itália investiga participação de cidadãos em “safáris humanos” durante a Guerra da Bósnia

O Ministério Público de Milão, na Itália, abriu uma investigação para apurar a possível participação de cidadãos italianos em supostos “safáris humanos” realizados durante o cerco de Sarajevo, um dos episódios mais sangrentos da Guerra da Bósnia (1992-1995).

De acordo com a denúncia, “turistas de guerra” pagavam entre 80 mil e 100 mil euros em valores atuais (equivalente a R$ 490 mil a R$ 610 mil) a milícias sérvio-bósnias e intermediários para serem armados e autorizados a atirar contra civis, incluindo crianças, nas colinas que cercavam a capital bósnia.

As supostas “excursões” partiam da cidade italiana de Trieste, a cerca de 600 quilômetros de Sarajevo, geralmente às sextas-feiras, e teriam ocorrido entre 1993 e 1995. Segundo o jornal La Repubblica, o Ministério Público já começou a convocar testemunhas para prestar depoimentos.

“Estamos falando de pessoas ricas, com reputação, empresários, que durante o cerco de Sarajevo pagavam para poder matar civis indefesos. Saíam de Trieste para a caçada humana e depois voltavam às suas vidas normais, respeitáveis aos olhos de todos”, declarou uma fonte ao jornal italiano.

Os suspeitos podem ser indiciados por homicídio doloso agravado por crueldade e motivo torpe. A maioria das vítimas era composta por moradores que deixavam suas casas em busca de alimentos, remédios e água em meio ao bloqueio total da cidade.

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O cerco de Sarajevo e o horror da guerra

O Cerco de Sarajevo durou 1.425 dias, entre 5 de abril de 1992 e 29 de fevereiro de 1996, sendo considerado o mais longo da história moderna. A cidade, localizada em um vale, foi cercada por cerca de 13 mil militares sérvio-bósnios, que impediram o acesso de suprimentos e posicionaram franco-atiradores nas montanhas.

Durante o período, civis foram alvos constantes de disparos, e estima-se que 65 mil das 80 mil crianças de Sarajevo tenham sido alvejadas diretamente. Ao todo, 5.434 civis morreram, sendo 1.500 crianças, e mais de 15 mil pessoas ficaram feridas.

O conflito ficou marcado por crimes de guerra, limpeza étnica e estupros em massa, com episódios classificados como genocídio, como o massacre de Srebrenica.

A guerra terminou após os Acordos de Dayton, em novembro de 1995, e resultou na condenação de várias autoridades sérvias, incluindo Slobodan Milosević, Ratko Mladić e Stanislav Galić, este último apontado como responsável direto pelos franco-atiradores que aterrorizavam Sarajevo.

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