Representantes do Irã e dos Estados Unidos se reuniram nesta sexta-feira (6), em Omã, para discutir um possível acordo envolvendo o programa nuclear iraniano, em um contexto marcado por troca de ameaças militares e reforço da presença americana no Oriente Médio.
Segundo a agência Reuters, o encontro teve início pouco antes das 5h (horário de Brasília). Antes da reunião bilateral, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, encontrou-se com o chanceler de Omã, Sayyid Al Busaidi, que atua como mediador entre as partes.
Horas antes das negociações, Araqchi afirmou que o Irã entraria no diálogo “com olhos abertos e memória firme do ano passado”, ressaltando que respeito mútuo, igualdade de posições e compromissos honrados são essenciais para qualquer acordo duradouro.
O encontro ocorre em meio ao aumento das tensões regionais e ao envio de porta-aviões, navios de guerra, aviões de combate e tropas americanas para a região. O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou preferir a via diplomática, mas voltou a ameaçar uma ação militar caso não haja avanços nas negociações.
Divergências na pauta
Estados Unidos e Irã divergem sobre o escopo das conversas. Washington defende que o acordo inclua limitações aos mísseis balísticos iranianos, o fim do apoio a grupos armados na região e até questões internas do país. A Casa Branca também afirma que Trump busca “capacidade nuclear zero” para o Irã.
Teerã, por outro lado, insiste que as negociações se limitem exclusivamente ao programa nuclear, alegando que ele possui fins pacíficos. Estados Unidos e Israel, no entanto, acusam o país de tentar desenvolver armas nucleares.
Araqchi viajou para Omã na quinta-feira (5) e declarou que o Irã participa das tratativas com o objetivo de alcançar um acordo “justo, mutuamente aceitável e digno”. Em Mascate, ele deve se reunir com o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e com Jared Kushner, genro e assessor do presidente americano.
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Clima de alerta na região
Na véspera do encontro, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o Irã deve lembrar que Trump, como comandante das Forças Armadas, possui alternativas além da diplomacia.
Paralelamente, a TV estatal iraniana informou que o país posicionou o Khorramshahr 4, um de seus mísseis balísticos de longo alcance mais avançados, em uma base subterrânea da Guarda Revolucionária. O armamento tem alcance de até 2.000 km e capacidade para transportar uma ogiva de 1.500 kg. Os EUA pressionam para que o alcance seja reduzido para cerca de 500 km.
As ameaças de Washington e as promessas de resposta do Irã levaram líderes regionais e internacionais a tentar conter uma escalada. O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou trabalhar para evitar um novo conflito no Oriente Médio. Países árabes do Golfo temem que bases americanas em seus territórios se tornem alvos em caso de confronto.
Na Europa, o chanceler alemão Friedrich Merz declarou haver “grande preocupação” com uma possível escalada e pediu que o Irã contribua para a estabilidade regional. Já a China manifestou apoio ao direito iraniano ao uso pacífico da energia nuclear e criticou ameaças militares e sanções.






