O cenário político nacional volta a ser centro de atenções após revelações sobre o financiamento de uma produção cinematográfica centrada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo informações apuradas pelo portal Intercept Brasil e corroboradas pela TV Globo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) manteve contatos constantes com o banqueiro Daniel Vorcaro para viabilizar o repasse de vultosas quantias destinadas ao filme intitulado "Dark Horse". As evidências, que incluem mensagens e registros de áudio, sugerem que o parlamentar exercia pressão direta sobre o empresário para garantir a regularidade dos aportes financeiros necessários ao projeto.
Conforme os dados obtidos pela investigação, o montante movimentado teria alcançado a cifra de R$ 61 milhões entre os meses de fevereiro e maio de 2025. O recurso, segundo as apurações, foi direcionado para um fundo sediado nos Estados Unidos, vinculado a um aliado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Em um áudio datado de setembro do ano passado, Flávio Bolsonaro menciona o "momento dificílimo" que o banqueiro enfrentava — período marcado pela negativa do Banco Central quanto à compra do Banco Master pelo BRB — ao mesmo tempo em que insistia na quitação de parcelas pendentes para evitar tensões na equipe de produção do longa-metragem.
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A relação entre o senador e o banqueiro transcendia as tratativas financeiras, incluindo convites para jantares com a presença do ator Jim Caviezel, escalado para interpretar o ex-presidente na obra. A troca frequente de mensagens e ligações demonstra uma proximidade que, segundo apurado, durou até a véspera da prisão de Vorcaro. O banqueiro foi detido pela Polícia Federal em novembro, no Aeroporto de Guarulhos, no âmbito de uma operação que investiga um esquema complexo envolvendo corrupção, fraudes e o uso de métodos intimidatórios contra opositores.
Questionado pela imprensa ao deixar o Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Bolsonaro limitou-se a declarar que as tratativas envolviam "dinheiro privado", evitando maiores detalhamentos sobre a natureza das cobranças feitas ao investidor. O caso segue sob análise de autoridades competentes, que buscam compreender a extensão das conexões entre o capital privado investido na cultura e as possíveis irregularidades que culminaram na prisão de Vorcaro e nas denúncias que agora envolvem a família Bolsonaro.






