Uma investigação minuciosa conduzida pela Polícia Federal revelou a existência de um esquema complexo voltado para a manipulação de emendas parlamentares, envolvendo o ex-deputado Valdemar Costa Neto. No epicentro das apurações está a servidora da Câmara dos Deputados, Mariângela Fialek, amplamente conhecida nos bastidores do Poder Legislativo como "Tuca". Segundo o relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a funcionária ocupava um papel estratégico na operacionalização de indicações orçamentárias que, formalmente, deveriam partir de parlamentares com mandato, mas que teriam a real origem em articulações de Costa Neto.
A dinâmica do esquema, conforme detalhado pelos investigadores, consistia em criar um "arranjo funcional informal" para burlar as restrições impostas a quem não exerce mandato parlamentar. Valdemar Costa Neto, impedido de indicar recursos do orçamento da União por não ocupar cargo eletivo, utilizava o suporte de Mariângela para gerir o fluxo das verbas. A servidora, por sua vez, centralizava as demandas e assegurava que os nomes de deputados com mandato fossem inseridos nos documentos oficiais como solicitantes, ocultando, dessa forma, a verdadeira autoria das indicações ministeriais.
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As evidências colhidas pela Polícia Federal incluem mensagens de texto e planilhas apreendidas que ligam diretamente a servidora às diretrizes de aliados próximos a Valdemar, como o advogado Garigham Amarante. Documentos encontrados no ambiente de trabalho de Tuca chegavam a identificar verbas com as iniciais "VCN" ou menções explícitas ao nome do ex-deputado. A gravidade da situação levou o ministro do STF, Flávio Dino, a classificar o procedimento como "profano" diante da violação flagrante dos princípios de transparência e legalidade na execução orçamentária do país.
Como desdobramento imediato, o Supremo Tribunal Federal determinou o bloqueio de R$ 119,2 milhões e a suspensão imediata do pagamento de 21 emendas suspeitas. Mariângela Fialek, que possui um histórico de atuação na assessoria de figuras influentes como o ex-presidente da Câmara Arthur Lira, agora responde por crimes de peculato-desvio e associação criminosa. A Operação Transparência, que desmantelou o núcleo da operação, continua analisando novos documentos para identificar outros possíveis beneficiários e a extensão total dos desvios que impactaram os cofres públicos nacionais.






