Uma investigação conduzida pela Polícia Federal (PF), cujos detalhes foram expostos em uma decisão recente do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelou um esquema de espionagem corporativa envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo os autos, Vorcaro teria solicitado que o publicitário Thiago Miranda realizasse o monitoramento sistemático de Milton Maluhy, CEO do Itaú Unibanco, e de sua esposa, Camila Moretti Maluhy, alegando que o executivo estaria gerando problemas aos seus negócios.
As trocas de mensagens obtidas pela PF demonstram a articulação direta entre os envolvidos. Em um dos diálogos, Vorcaro questiona a possibilidade de realizar um levantamento completo sobre a vida do CEO, ao que Miranda responde de forma solícita: "Deixa comigo". Posteriormente, as comunicações indicam que Miranda já possuía um dossiê pronto sobre o casal e sugeria a veiculação das informações estratégicas através de outros veículos de comunicação, evidenciando uma possível tentativa de manipular a opinião pública contra a instituição financeira.
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O relatório apreendido pela PF, intitulado "Família Maluhy: Relatório sobre Execução Fiscal", continha dados sensíveis, incluindo números de CPF, identificações civis e informações patrimoniais detalhadas do casal. O documento apresentava a identidade visual da agência MiThi, pertencente a Thiago Miranda, confirmando a origem da produção e edição do material. Esse conteúdo, classificado como confidencial, circulava no âmbito da estrutura empresarial de Miranda como parte de uma estratégia de intimidação ou chantagem.
A operação de busca e apreensão contra Miranda, autorizada pelo ministro André Mendonça, corrobora as suspeitas de que ambos integravam um grupo criminoso organizado. O objetivo, segundo as autoridades, era atuar em múltiplas frentes, desde a proteção dos interesses particulares de Vorcaro até a violação de dados sigilosos de concorrentes do setor bancário. Embora as datas precisas das interações não tenham sido especificadas na decisão judicial, o conteúdo das mensagens revela um padrão preocupante de conduta que mistura espionagem privada e desinformação, colocando sob foco as práticas de compliance e segurança da informação no cenário corporativo brasileiro. A investigação segue em sigilo para desmantelar toda a rede operacional do grupo.






