O debate sobre a extinção da escala de trabalho 6x1 ganhou um novo capítulo de tensão entre o setor produtivo e o Poder Legislativo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), representando uma vasta rede que engloba 27 federações estaduais, 98 associações setoriais e 741 sindicatos, entregou formalmente um manifesto ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). O documento expressa uma profunda preocupação quanto aos possíveis desdobramentos econômicos caso as propostas de alteração na jornada de trabalho avancem sem os devidos estudos de impacto.
Segundo a entidade, embora a discussão sobre a qualidade de vida do trabalhador seja legítima, a implementação de mudanças abruptas na legislação trabalhista pode gerar efeitos colaterais severos. As estimativas da CNI apontam que a redução da jornada sem a devida compensação ou transição estruturada poderia elevar os custos com contratações formais em até R$ 267 bilhões por ano. A indústria enfatiza que o entrave não reside apenas nas horas trabalhadas, mas na competitividade do Brasil frente ao cenário global, marcado por desafios estruturais, insegurança jurídica e custos elevados de produção.
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A Comissão Especial destinada a analisar o tema será oficialmente instalada, com o deputado Alencar Santana (PT-SP) na presidência e o deputado Léo Prates (Republicanos-BA) como relator. Este último terá a responsabilidade de consolidar as propostas originadas pelos parlamentares Érika Hilton (Psol-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG), embora tenha autonomia para propor um novo texto, desde que conte com o apoio da maioria dos 38 integrantes do colegiado.
Hugo Motta afirmou que pretende conduzir o processo com abertura ao diálogo, assegurando que todo o setor produtivo será ouvido antes da redação do texto final. A expectativa do presidente da Câmara é que a proposta seja levada ao plenário em maio, como uma forma de celebrar o Dia do Trabalhador. Contudo, o tom do debate sinaliza que o Parlamento enfrentará um impasse complexo entre as reivindicações por melhores condições laborais e a necessidade de preservar a estabilidade econômica e a geração de empregos formais no país. A indústria reitera que qualquer mudança estrutural exige base em evidências técnicas e equilíbrio para promover o crescimento sustentável a longo prazo.






