A indústria brasileira de café solúvel está em fase final de preparação para uma ofensiva diplomática e técnica nos Estados Unidos. O objetivo é contestar a exclusão do produto de uma nova rodada de isenções tarifárias proposta pelo governo de Donald Trump. Com a audiência pública marcada para o dia 6 de julho em Washington, o setor busca reverter uma medida que, segundo especialistas, carece de fundamentos econômicos sólidos e pode prejudicar tanto exportadores brasileiros quanto o consumidor norte-americano. O café solúvel destaca-se como o único subgrupo da cadeia cafeeira nacional que permanece fora da lista de proteção contra as sobretaxas, criando uma distorção preocupante no comércio bilateral.
Aguinaldo Lima, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), afirmou que a entidade utilizará tanto a audiência presencial quanto manifestações formais por escrito para fundamentar a defesa. A estratégia foca na demonstração de dados que comprovam que a sobretaxa impacta diretamente a inflação interna dos EUA, onde o café solúvel já registrou uma alta expressiva de 24% no acumulado de 12 meses até maio. A Abics argumenta que a manutenção do café solúvel tradicional na lista de taxação — enquanto variantes aromatizadas foram isentas — sugere uma possível falha na classificação de códigos aduaneiros durante a formulação da política comercial americana.
📲 Fique por dentro das notícias de Arcoverde!
Agora o Arcoverde Agora também tem um canal oficial no WhatsApp, onde você recebe em primeira mão as principais informações da cidade e do Sertão do Moxotó.
👉 Clique aqui e entre no nosso canal
Além do aspecto inflacionário, a indústria brasileira pontua que a cadeia produtiva é integrada. Grande parte do valor agregado ao produto ocorre dentro dos Estados Unidos, onde empresas locais realizam o envase e a distribuição, gerando postos de trabalho em solo americano. A expectativa da Abics é que a imposição de uma tarifa que pode atingir 37,5% em julho, caso as novas medidas sejam confirmadas, desencoraje esse fluxo comercial benéfico para ambas as nações. O setor tem reforçado que o Brasil responde por cerca de 37% das importações de café solúvel dos EUA, suprindo uma demanda que a produção interna americana, responsável por apenas 6% do consumo, não consegue atender.
A defesa brasileira também refuta a tese de que a taxação impulsionaria uma reindustrialização rápida do setor nos EUA. Segundo os empresários, a instalação de plantas de processamento exige investimentos de longo prazo, estimados entre quatro a cinco anos, o que torna a tarifa uma medida punitiva ineficaz para o curto prazo. O contexto político, contudo, é complexo, envolvendo negociações mais amplas que abrangem desde minerais críticos até regulação de grandes empresas de tecnologia (Big Techs) e segurança digital. O documento técnico, que servirá de subsídio para as autoridades americanas, será entregue até o dia 1º de julho, consolidando o empenho do Brasil em manter a competitividade de um dos seus produtos de maior prestígio no mercado internacional.






