A Índia, que historicamente ocupou a posição de segundo maior exportador de açúcar do mundo, enfrenta um cenário de escassez que deve impactar o mercado global por, pelo menos, as próximas três safras. Segundo analistas do setor, executivos da indústria e fontes governamentais, a combinação de fatores climáticos adversos e mudanças nas políticas internas de energia está drenando a disponibilidade do produto para o exterior, criando um efeito cascata que deve manter os preços elevados nas bolsas de Londres e Nova York.
O principal protagonista dessa instabilidade é o fenômeno El Niño, que tem provocado chuvas abaixo da média na Índia, prejudicando o desenvolvimento dos canaviais. Paralelamente, o governo indiano tem direcionado uma parcela crescente da produção de cana-de-açúcar para a fabricação de etanol, visando reduzir a dependência nacional de combustíveis fósseis importados. Esse redirecionamento estratégico, aliado à necessidade de garantir a oferta interna de açúcar — um produto essencial e sensível politicamente no país — sinaliza uma ausência prolongada dos indianos como fornecedores globais para regiões da Ásia, África e Oriente Médio.
📲 Fique por dentro das notícias de Arcoverde!
Agora o Arcoverde Agora também tem um canal oficial no WhatsApp, onde você recebe em primeira mão as principais informações da cidade e do Sertão do Moxotó.
👉 Clique aqui e entre no nosso canal
A situação é agravada pela mudança de comportamento dos agricultores indianos. Diante das previsões de escassez hídrica, muitos produtores estão optando por culturas que exigem menos água, como soja e leguminosas, resultando em uma queda drástica na demanda por mudas de cana. As estimativas do setor indicam que a produção indiana pode não atingir o patamar necessário para cobrir o consumo interno, que gira em torno de 28,5 milhões de toneladas anuais. Com estoques nos níveis mais baixos em mais de três décadas, o governo de Narendra Modi tem restringido autorizações de exportação, priorizando o abastecimento doméstico.
Além do fator climático, a transição para uma matriz energética baseada em etanol reforça essa tendência. A meta indiana de expandir a frota de veículos flex-fuel e ampliar a mistura de biocombustível na gasolina exige uma demanda de até 30 bilhões de litros de etanol até 2040. Especialistas alertam que, caso o El Niño se intensifique nas próximas safras, a Índia poderá deixar de ser um exportador relevante para se tornar um importador líquido de açúcar. Esse cenário de restrição severa de oferta deve obrigar importadores globais a buscar alternativas em outros mercados, como o Brasil e a Tailândia, embora ambos também enfrentem desafios climáticos similares, consolidando um período de incerteza no comércio internacional de commodities.






