O iFood, líder no setor de delivery no Brasil, formalizou junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) um pedido de monitoramento rigoroso sobre as operações das plataformas Keeta e 99Food em território nacional. A gigante do setor de entrega de refeições argumenta que a entrada dessas empresas, controladas por grupos chineses, traz consigo um poderio financeiro desproporcional que poderia estar sendo utilizado para desestabilizar a concorrência local através de táticas agressivas de precificação e subsídios constantes.
Na petição apresentada ao órgão regulador, o iFood sustenta que a DiDi, proprietária da 99Food, e a Meituan, responsável pela Keeta, possuem acesso facilitado a capital de baixo custo, o que lhes permitiria operar com prejuízos operacionais deliberados por longos períodos. Segundo a companhia brasileira, tal estratégia visa exclusivamente a conquista de market share através de descontos insustentáveis para empresas que operam sob condições normais de mercado, prática que, na visão da requerente, configura um risco à competitividade saudável no ecossistema digital brasileiro.
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A argumentação do iFood fundamenta-se em relatórios internacionais e em estudos prévios do próprio Cade sobre casos globais onde o capital estrangeiro subsidiado foi utilizado para eliminar concorrentes locais. A empresa cita, por exemplo, o relatório do banco australiano Macquarie, que associou prejuízos bilionários da DiDi e da Meituan no último ano a uma política expansionista agressiva financiada por incentivos governamentais chineses, como o programa voltado ao crescimento tecnológico internacional.
Diante do cenário apresentado, o iFood solicita que o Cade exija transparência quanto aos custos estruturais e à política de preços praticada por essas plataformas no Brasil. O objetivo é verificar a ocorrência de eventuais práticas de dumping ou abuso de poder econômico, que poderiam, a longo prazo, levar à monopolização do setor e ao fechamento de empresas concorrentes, como já teria ocorrido em outros mercados internacionais como Catar, Kuwait e Hong Kong. O Cade agora analisa se abrirá um processo investigativo para apurar se a entrada desses players estrangeiros fere os preceitos de livre concorrência vigentes no país.






