Os militares de Guiné-Bissau anunciaram nesta quinta-feira (27) a nomeação do general Horta N’Tam como presidente interino do país, um dia depois do golpe que levou à detenção do presidente em fim de mandato e à suspensão do processo eleitoral. A junta informou que o mandato provisório do general será de um ano.
O anúncio foi feito em coletiva de imprensa em Bissau. Até então, Horta N’Tam atuava como chefe do Estado-Maior do Exército de terra. Durante a cerimônia de juramento no quartel-general das Forças Armadas, o general afirmou que o país vive “um período muito difícil da sua história” e que medidas urgentes seriam adotadas para restaurar a estabilidade.
O golpe ocorreu na véspera da divulgação dos resultados provisórios das eleições presidenciais e legislativas realizadas no domingo. Tanto o presidente Umaro Sissoco Embaló, que buscava permanecer no cargo, quanto o opositor Fernando Dias de Costa reivindicavam a vitória.
Controle do país e justificativas da junta
Após a ação militar, os golpistas anunciaram ter assumido o “controle total do país” e confirmado a detenção de Embaló, além da suspensão das eleições. De acordo com o general Denis N’Canha, representantes das Forças Armadas identificaram um suposto plano de desestabilização envolvendo barões do tráfico de drogas, que teria incluído a entrada de armas no território para alterar a ordem constitucional.
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País enfrenta instabilidade crônica
Guiné-Bissau, nação lusófona com cerca de 2,2 milhões de habitantes, enfrenta pobreza persistente, corrupção e histórico de instabilidade política. O país é considerado uma das principais rotas do tráfico internacional de drogas entre América do Sul e Europa — cenário agravado por sucessivas crises institucionais.
Além de Embaló, também foi detido o opositor Domingos Simões Pereira, impedido pelo Supremo Tribunal de disputar as eleições. Ambos estariam sob custódia militar.
Com o avanço da junta, postos de controle foram instalados nas principais avenidas de Bissau. Soldados passaram a revistar veículos e reforçar a segurança na região do palácio presidencial. Lojas fecharam as portas e o movimento na capital ficou reduzido após a população entrar em pânico ao ouvir disparos durante o início do golpe.






