O cenário da disputa política no ambiente digital brasileiro ganhou um novo capítulo com a adoção, por parte de perfis apoiadores do governo Luiz Inácio Lula da Silva, de uma estratégia consolidada pela direita: o uso de personagens criados por Inteligência Artificial (IA). A icônica "Dona Maria", avatar que se tornou o rosto de críticas contundentes à gestão petista, recebeu uma versão adaptada por grupos progressistas, transformando o uso de tecnologias generativas em uma ferramenta central na guerra de narrativas online.
Em vídeos que ganharam força a partir do final de abril, a nova versão da personagem mantém os traços físicos que a tornaram viral, mas altera drasticamente o conteúdo de suas mensagens. Enquanto a Dona Maria original é utilizada para disseminar discursos de oposição, a versão governista foca em defender políticas do atual governo, como a proposta de fim da escala de trabalho 6x1, além de direcionar ataques à oposição e à família Bolsonaro. Essa manobra reflete uma tentativa da esquerda de ocupar espaços onde a direita vinha dominando o debate público através de algoritmos e conteúdos de alta viralidade.
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A repercussão da personagem original foi tão expressiva que atraiu a atenção das cúpulas partidárias. A Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PV e PCdoB, moveu ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) buscando restringir perfis que utilizam o nome e a estética da personagem, alegando que o uso de IA para desinformação ou ataques constantes poderia comprometer o equilíbrio democrático. O engajamento da Dona Maria original, com vídeos que superam milhões de visualizações e milhares de comentários, demonstra o poder da linguagem emocional aliada a avatares sintéticos.
O fenômeno levanta debates importantes sobre a regulação do uso de Inteligência Artificial em períodos de polarização acentuada. Enquanto a direita celebra o alcance da ferramenta na mobilização de bases, a esquerda busca, agora, neutralizar essa influência utilizando os mesmos expedientes técnicos. Especialistas em marketing digital alertam que a "humanização" de avatares sintéticos é uma das tendências mais perigosas e eficazes da comunicação contemporânea, uma vez que o público muitas vezes não identifica a origem artificial da mensagem, tornando-a mais suscetível à manipulação política e à propagação de desinformação em larga escala.






