O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, apreendeu nesta quarta-feira um petroleiro que transportava petróleo da Venezuela no Mar do Caribe. A ação representa mais um capítulo da pressão norte-americana contra o governo de Nicolás Maduro.
A embarcação, identificada como Skipper, transportava carga da PDVSA, estatal venezuelana, segundo um funcionário dos EUA. Autoridades afirmam que novas apreensões de navios com petróleo venezuelano podem ocorrer nos próximos dias.
Construído em 2005 e registrado sob o número IMO 9304667, o Skipper tem 333 metros de comprimento e 60 metros de largura, figurando entre os maiores petroleiros em operação. O navio já foi associado ao contrabando de petróleo do Irã, país sob fortes sanções de Washington. Um funcionário do governo americano afirmou que a embarcação navegava sob bandeira da Guiana, embora não estivesse registrada no país.
Imagens de satélite sugerem que o navio pode ter tentado ocultar sua localização transmitindo dados falsificados. Informações do site TankerTrackers.com mostram que o Skipper fez múltiplas viagens ao Irã e à Venezuela nos últimos dois anos, carregando petróleo de países sob sanções dos EUA.
Em 2024, transportou petróleo iraniano para a Síria e, entre fevereiro e julho deste ano, quase 2 milhões de barris de petróleo bruto do Irã para a China.
O Skipper já foi incluído em sanções do Departamento do Tesouro dos EUA quando ainda operava com outro nome. Segundo o órgão, ele integrava “uma rede internacional de contrabando de petróleo que facilitava negociações e gerava receita” para grupos como o Hezbollah e a Força Quds da Guarda Revolucionária iraniana.
A apreensão foi realizada por uma força-tarefa composta pelo FBI, Departamento de Segurança Interna e Guarda Costeira, com apoio do Pentágono, informou a procuradora-geral Pam Bondi. Em um vídeo publicado por ela, agentes armados aparecem descendo de rapel de um helicóptero para o convés do petroleiro, embora o material não tenha sido verificado de forma independente.
Bondi afirmou que o navio transportava “petróleo sancionado” da Venezuela e do Irã. A operação foi autorizada por um mandado judicial emitido duas semanas antes, baseado no histórico da embarcação em contrabandear petróleo iraniano — e não em vínculos diretos com o governo Maduro, segundo o funcionário americano.
Especialistas como Edward Fishman, ex-membro do Departamento de Estado, afirmam que a maioria das apreensões desse tipo está relacionada ao financiamento de grupos como a Guarda Revolucionária, classificada como organização terrorista pelos EUA.
“A ligação com o terrorismo é a que tem o histórico mais sólido”, disse Fishman.
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Destino da carga ainda é incerto
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou que o governo Trump está avaliando a base legal para confiscar oficialmente o petróleo apreendido. “Há um processo legal para o confisco desse petróleo, e esse processo será seguido”, afirmou.
Questionado, Trump comentou: “Bem, nós ficamos com ele, eu acho.”
Pressão geopolítica sobre a Venezuela
A Venezuela depende quase exclusivamente do petróleo para obter divisas e importar itens essenciais. Hoje, cerca de 80% do petróleo venezuelano é vendido à China.
Também há envios para Cuba, embora reduzidos nos últimos anos devido ao colapso econômico venezuelano.
Como parte da ofensiva diplomática e militar contra Maduro, o governo Trump mobilizou uma força significativa perto da Venezuela. Autoridades americanas afirmam que 22 embarcações já foram atacadas, com ao menos 87 mortes, em operações justificadas como combate ao narcotráfico e a ameaças contra cidadãos americanos.
No entanto, especialistas em direito internacional alertam que esses ataques contra embarcações civis podem ser ilegais e configurar crimes de guerra, já que o Congresso não autorizou o uso das Forças Armadas para essas ações.
O secretário de Estado, Marco Rubio, e aliados próximos de Trump têm defendido a saída de Maduro do poder. Rubio apoiou, ainda como senador, uma iniciativa apoiada pelos EUA para derrubar o líder venezuelano durante o primeiro governo Trump — tentativa que acabou fracassando.






