O governo da Venezuela afirmou nesta quarta-feira (17) que a exportação de petróleo e a navegação de navios petroleiros seguem ocorrendo normalmente, apesar do anúncio de um “bloqueio total” imposto pelos Estados Unidos. A declaração foi feita pela vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, um dia após o presidente norte-americano Donald Trump afirmar que o país está “completamente cercado”.
“As operações de exportação de petróleo bruto venezuelano e de seus derivados seguem em funcionamento, apesar da tentativa de bloqueio ilegal e ilegítimo”, afirmou Delcy, destacando que os embarques ocorrem por meio de “esquemas seguros e garantias plenas”.
Na terça-feira (16), Trump declarou que determinou um bloqueio total a navios petroleiros sancionados que entrem ou saiam da Venezuela, afirmando que o país estaria cercado por uma grande mobilização militar dos EUA. Em resposta, o regime de Nicolás Maduro classificou a medida como uma “ameaça grotesca” e uma escalada inédita nas tensões entre os dois países.
A estatal PDVSA também se manifestou, afirmando que seus navios seguem navegando com pleno respaldo de segurança, suporte técnico e garantias operacionais, no exercício do direito à livre navegação e ao livre comércio, previstos no Direito Internacional. A empresa informou ainda que retomou plenamente as entregas de petróleo após se recuperar de um suposto ataque cibernético sofrido no início da semana.
Segundo a imprensa norte-americana, o petróleo é o principal alvo da ofensiva do governo Trump contra a Venezuela. O jornal The New York Times e o site Axios apontam que a Casa Branca já avalia apreender mais navios petroleiros venezuelanos, e que ao menos 18 embarcações sancionadas estariam atualmente em águas do país.
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Em nota oficial, o governo Maduro classificou o bloqueio como “absolutamente irracional” e afirmou que a medida viola o livre comércio e a navegabilidade internacional. O texto reforça que a Venezuela recorrerá à Organização das Nações Unidas (ONU) para denunciar o que chamou de grave violação do Direito Internacional.
“A Venezuela jamais voltará a ser colônia de império algum”, afirma o comunicado, reiterando a defesa da soberania nacional e do direito à livre navegação no Mar do Caribe e nos oceanos do mundo.
Desde agosto, os Estados Unidos vêm intensificando a presença militar no Caribe, inicialmente sob a justificativa de combate ao tráfico internacional de drogas. Trump, porém, passou a acusar o governo venezuelano de financiar um “regime ilegítimo” com recursos do petróleo, além de associá-lo a crimes como terrorismo, tráfico de drogas e de pessoas.
Mesmo sob sanções, a Venezuela segue exportando cerca de 1 milhão de barris de petróleo por dia. Especialistas apontam que o país utiliza os chamados “navios fantasmas”, embarcações que mudam frequentemente de nome ou bandeira para driblar restrições internacionais. Segundo a S&P Global, cerca de 1 em cada 5 petroleiros no mundo estaria envolvido no transporte de petróleo de países sob sanções, como Rússia, Irã e Venezuela.






