O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta uma crescente pressão política — inclusive dentro da própria base — após a operação mais letal já registrada no Rio de Janeiro, que deixou 132 mortos nas comunidades da Penha e do Alemão.
Apesar da cobrança por medidas mais enérgicas, o Palácio do Planalto descarta, por enquanto, decretar uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no estado.
Nos bastidores, aliados de Lula avaliam que uma intervenção militar não solucionaria o problema estrutural da segurança pública e poderia gerar novos confrontos e mais vítimas, agravando a crise.
Além disso, o governo teme que uma GLO coloque a responsabilidade direta por possíveis abusos nas mãos da União, o que teria forte repercussão política e social.
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Como alternativa, o Planalto tem apostado em reforçar a inteligência policial, transferir presos de alta periculosidade para presídios federais e oferecer apoio técnico e logístico às forças de segurança estaduais, sem protagonismo militar.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou nesta quarta-feira (29) que o presidente Lula ficou “estarrecido” com o número de mortos e “surpreso” ao saber que uma operação “de tamanha envergadura foi realizada sem o conhecimento prévio do governo federal”.
Enquanto a gestão busca conter os desdobramentos políticos e sociais da tragédia, o episódio reacende o debate sobre os limites das operações policiais e o papel da União na segurança pública do Rio de Janeiro.






