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Governo Lula encerra terceiro ano com avanços econômicos e sociais, mas enfrenta forte resistência no Congresso

Por Redação Arcoverde Agora
Governo Lula encerra terceiro ano com avanços econômicos e sociais, mas enfrenta forte resistência no Congresso

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conclui o terceiro ano de mandato apresentando indicadores positivos na economia e na área social, mas também acumulando desafios constantes no Congresso Nacional, onde atua em condição de minoria e enfrenta dificuldades para aprovar pautas estratégicas.

Na avaliação da equipe econômica, os resultados confirmam promessas feitas desde o início da gestão. Houve redução do desemprego, queda da fome, diminuição da desigualdade social e recuo da inflação, considerada a principal preocupação do governo ao longo de 2024. Apesar disso, a relação com o Legislativo segue marcada por tensões, negociações complexas e derrotas pontuais, mesmo em matérias consideradas prioritárias.

Esses dois cenários — avanços administrativos e embates políticos — devem ser explorados pelo próprio governo na campanha eleitoral de 2026. As conquistas econômicas e sociais serão apresentadas como vitrine da gestão, enquanto os conflitos com o Congresso devem reforçar o discurso de que é necessário alterar a correlação de forças no Parlamento.

Economia em melhora e arrecadação recorde

A inflação deve encerrar 2025 dentro do intervalo da meta. Após ultrapassar a margem de tolerância da meta de 3% desde outubro de 2024, o IPCA acumulado em 12 meses fechou novembro em 4,46%. Diante do cenário, o Banco Central reduziu a probabilidade de estouro da meta de 71% para 26%, com expectativa de encerramento do ano em 4,4%.

O PIB também apresentou desempenho acima do esperado. O Banco Central revisou a projeção de crescimento de 2% para 2,3% em 2025, impulsionado principalmente pelo desempenho da agropecuária.

No mercado de trabalho, o desemprego atingiu em outubro o menor nível desde 2012, início da série histórica do IBGE. Após três meses de estabilidade, a taxa voltou a cair e fechou o trimestre em 5,4%.

A desigualdade social também apresentou recuo significativo. Entre 1995 e 2024, a queda foi de 18%, enquanto a renda média domiciliar per capita cresceu cerca de 70%, alcançando R$ 2.015 em 2024, segundo o Ipea, com base em dados do IBGE.

Segundo críticos da gestão, parte desses resultados está relacionada ao aumento expressivo da arrecadação federal. Dados da Receita Federal indicam crescimento em praticamente todos os tributos até novembro, incluindo impostos sobre pessoas jurídicas, operações financeiras, PIS/Pasep, Cofins e rendimentos no exterior.

Em outubro, a arrecadação foi a maior da história para o mês, superando em 5,6% o resultado de 2024 e totalizando R$ 247,9 bilhões. No acumulado do ano até outubro, o montante chegou a R$ 2,367 trilhões, novo recorde para o período.

O desempenho reforça o discurso de Lula, repetido desde a campanha de 2022, de que “gasto com educação e saúde não é gasto, é investimento”. A estratégia, no entanto, gera resistência no mercado financeiro, preocupado com o equilíbrio fiscal. O governo sustenta que as contas fecharão “de forma responsável”, apostando no impacto rápido dos programas sociais na vida da população e no eleitorado.

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Relação turbulenta com o Congresso

Apesar de avanços pontuais, a relação entre Planalto e Congresso permanece instável. O governo afirma aprovar suas principais pautas, mas enfrenta pautas-bomba, votações inesperadas e negociações de alto custo político.

Entre as vitórias do Executivo está a aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, no início de novembro. A medida é vista internamente como um novo Bolsa Família, com potencial impacto eleitoral. Também avançaram projetos como a isenção de tarifas de energia elétrica e gás.

Nada disso, porém, ocorreu sem concessões. O governo sofreu derrotas mesmo em pautas consideradas consensuais e viu o Congresso aprovar, em junho, um projeto que previa até R$ 30 bilhões em crédito subsidiado para o agronegócio, em meio a cobranças por cortes de gastos.

Além disso, Câmara e Senado levaram adiante propostas contrárias ao Executivo, como a votação surpresa do projeto da dosimetria durante a madrugada e as cassações dos deputados Glauber Braga (PSOL-RJ) e Carla Zambelli (PL-SP), em sequência, para equiparação de casos.

Os episódios ampliaram os ruídos entre os Poderes e entre suas lideranças. Mesmo com tentativas de aproximação com os presidentes Hugo Motta (Republicanos-PB), da Câmara, e Davi Alcolumbre (União-AP), do Senado, o Planalto avalia o ambiente político como imprevisível.

De olho em 2026, Lula pretende investir na eleição de mais parlamentares da base aliada, inclusive incentivando ministros a disputar vagas no Legislativo. O discurso central será o de que não basta eleger o Executivo sem garantir maioria no Congresso — fenômeno recorrente, segundo aliados, especialmente entre eleitores de menor renda, principal base eleitoral do presidente.

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