O Ministério das Relações Exteriores do Brasil convocou, nesta terça-feira (21), a encarregada de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, Kimberly Kelly, para prestar esclarecimentos formais sobre a decisão do governo Donald Trump de solicitar a saída imediata do delegado da Polícia Federal (PF), Marcelo Ivo de Carvalho, do território norte-americano. A notificação, recebida pelas autoridades brasileiras na última segunda-feira (20), gerou um clima de tensão diplomática entre as duas nações, provocando uma reação enérgica do governo brasileiro sobre a soberania e o respeito mútuo nas relações internacionais.
A reunião, que teve duração aproximada de uma hora, contou com a presença do diretor do Departamento de América do Norte do MRE, Christiano Figueiroa. Embora a Embaixada dos Estados Unidos tenha optado por não comentar detalhes das conversas diplomáticas, o governo brasileiro, por meio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou sua preocupação. Em viagem à Europa, o mandatário brasileiro sugeriu a possibilidade de adotar o princípio da reciprocidade, caso seja comprovada qualquer forma de abuso ou ingerência indevida por parte das autoridades americanas em relação ao servidor brasileiro.
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O governo americano justificou o pedido alegando que o delegado teria tentado contornar canais oficiais de extradição para supostas perseguições políticas. Contudo, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, rechaçou a fundamentação da medida, destacando que a missão de Carvalho em Miami era pública e amplamente conhecida pelas autoridades locais, focada na identificação e captura de foragidos da Justiça brasileira. O caso ganha contornos complexos pela conexão com a detenção de figuras políticas, levantando debates sobre a autonomia das agências de imigração dos EUA frente aos protocolos de cooperação policial internacional.
A gestão de Marcelo Ivo de Carvalho, iniciada em 2023 em cooperação com o ICE (Immigration and Customs Enforcement), visava estreitar o combate ao crime transnacional. Com a crise instaurada, o Ministério das Relações Exteriores aguarda novos desdobramentos e esclarecimentos adicionais por parte de Washington para definir se haverá ações concretas de retaliação diplomática, mantendo o impasse no centro das atenções da política externa brasileira nesta semana.






