O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sancionou nesta terça-feira (10) a lei que autoriza a transferência de nove imóveis públicos para o patrimônio do Banco de Brasília (BRB). A medida, publicada em edição extra do Diário Oficial do DF, visa contornar uma grave crise patrimonial enfrentada pela instituição financeira, que se viu fragilizada após o desdobramento de escândalos envolvendo investimentos no Banco Master. A decisão ocorre logo após a aprovação do projeto pela Câmara Legislativa do DF (CLDF), em votação concluída no dia 3 deste mês.
Os imóveis cedidos serão utilizados como lastro para uma captação estimada em até R$ 6,6 bilhões no mercado financeiro. A necessidade de injeção de recursos surgiu após o BRB ter realizado um aporte de R$ 16,7 bilhões no Banco Master, valor que agora está sob suspeita de irregularidades em pelo menos R$ 12,2 bilhões, conforme apontado pelas investigações da Operação Compliance Zero. A liquidação extrajudicial do Master, determinada pelo Banco Central, travou os ativos que seriam revertidos ao BRB, gerando riscos reais ao descumprimento das normas prudenciais do sistema bancário nacional.
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A lista de ativos transferidos ao banco inclui áreas estratégicas no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), a sede do Centro Administrativo em Taguatinga — que permanece inutilizada há mais de uma década — e uma extensa gleba de 716 hectares na região da Serrinha do Paranoá, avaliada em R$ 2,2 bilhões. A operação, embora necessária para a estabilidade da instituição financeira distrital, gerou intensos debates na esfera política local, sendo aprovada por 14 votos favoráveis contra 10 contrários.
Além do desafio de recomposição de caixa, a gestão do BRB segue sob o escrutínio de órgãos de controle e de um novo inquérito da Polícia Federal, que investiga a conduta de gestores na condução das negociações com o Banco Master. A expectativa agora é que a capitalização permita ao BRB retomar sua solidez operacional e garantir a segurança de seus correntistas e investidores frente à crise sistêmica que desafiou a administração de Ibaneis Rocha durante os últimos dois anos.






