O presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), desembargador Ricardo Couto de Castro, assumiu o governo em exercício do estado e, em menos de 24 horas, implementou uma significativa reformulação em três órgãos cruciais da administração pública fluminense. As mudanças ocorreram na Fundação RioPrevidência, na Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) e na Procuradoria Geral do Estado (PGE). Estas instituições estiveram envolvidas em aplicações financeiras e decisões polêmicas relacionadas a dois dos maiores escândalos recentes do país: o caso do Banco Master, considerado a maior fraude bancária da história, e a Refit, a maior devedora de impostos do Brasil.
A atuação de Couto de Castro foi viabilizada pelo pedido de vista dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) durante a votação de uma ação que definirá o formato das próximas eleições no estado, se diretas ou indiretas. O apoio incondicional do presidente do STF, Edson Fachin, foi fundamental, garantindo ao governador em exercício "plenos poderes" para agir. Munido desse respaldo, Couto de Castro iniciou uma série de exonerações e mudanças estratégicas.
As primeiras intervenções visaram os órgãos diretamente afetados pelo escândalo do Banco Master. Nicholas Cardoso, presidente interino da RioPrevidência, foi exonerado. A fundação é conhecida por ter realizado a maior aplicação de dinheiro público no banco de Daniel Vorcaro, totalizando cerca de R$ 1,2 bilhão. O ex-presidente da RioPrevidência, Davis Antunes, encontra-se preso em Bangu, e Nicholas Cardoso o sucedeu, sendo anteriormente diretor de investimentos da entidade. A medida se alinha ao pedido de afastamento de Cardoso feito pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro na semana anterior.
A Cedae, que aplicou R$ 200 milhões no Banco Master, também sofreu impactos. A saída do presidente Aguinaldo Balon foi anunciada em meio à crise. As investigações agora se concentram em Antônio Carlos dos Santos, diretor financeiro da Cedae, que é apontado como um dos gestores do contrato com o Banco Master, ao lado de Balon.
Outra mudança significativa foi o afastamento do procurador-geral do Estado, Renan Saad. Sua atuação foi questionada quando o estado do Rio de Janeiro se manifestou em um processo referente à Refinaria de Manguinhos (Refit), que enfrenta dificuldades em honrar o parcelamento de sua vultosa dívida tributária com o estado. A manifestação de Saad foi interpretada pelo mercado como uma manobra para beneficiar a Refit, uma empresa conhecida por ser uma devedora contumaz, levantando dúvidas sobre a isenção e o interesse público na sua gestão. Essas ações do governador em exercício sinalizam uma tentativa de reestruturação e maior controle sobre os órgãos públicos, buscando mitigar os efeitos dos escândalos financeiros que abalaram o Rio de Janeiro.
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