O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, quebrou o silêncio sobre os bastidores da movimentação política que resultou na saída do vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth, dos quadros da legenda. Durante um almoço organizado pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), realizado nesta segunda-feira (27), em São Paulo, Kassab foi enfático ao declarar que a decisão de desligar Ramuth partiu diretamente da cúpula do partido, negando a existência de qualquer crise institucional com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Segundo o dirigente, a saída de Ramuth, que agora integra o MDB, foi uma medida de organização partidária diante do que classificou como "voo solo" do político. Kassab relatou ter comunicado pessoalmente o governador Tarcísio de Freitas sobre a necessidade de desfiliação, alegando que o vice-governador adotava posturas independentes que não convergiam com os interesses estratégicos do PSD. O presidente da sigla destacou que a decisão foi tomada com naturalidade e transparência entre as lideranças envolvidas.
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A articulação para a filiação de Ramuth ao MDB foi vista nos bastidores como um movimento estratégico de Tarcísio de Freitas para consolidar sua base de apoio. Kassab, contudo, assegurou que o PSD manterá o suporte à candidatura de reeleição do atual governador, independentemente de quem comporá a chapa como vice. Ele sublinhou que a prerrogativa da escolha final cabe ao titular do executivo paulista, reafirmando o compromisso de seu partido com a estabilidade administrativa do estado.
Ao analisar o cenário nacional para as eleições de 2026, Kassab evitou antecipar definições sobre o posicionamento do PSD para o Palácio do Planalto. O dirigente mencionou que a pré-candidatura de Ronaldo Caiado (PSD) ao cargo de presidente é uma possibilidade, mas que discussões sobre uma eventual chapa, incluindo a indicação de vice, só deverão ganhar contornos mais concretos a partir de junho. Para Kassab, o Brasil atravessa um momento de busca por alternativas, sugerindo que candidaturas que se posicionam fora da polarização extrema entre o atual presidente Lula e o campo bolsonarista possuem espaço para um crescimento significativo na preferência do eleitorado.
Por fim, o presidente do PSD abordou temas sensíveis como a relação com o Poder Judiciário. Ao ser questionado sobre críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), optou por um tom cauteloso e generalista. Ele ressaltou que o país demanda lideranças com coragem para promover ajustes necessários no sistema jurídico, visando um aperfeiçoamento institucional, mas evitou entrar em detalhes sobre reformas específicas, mantendo o foco nas diretrizes políticas que nortearão as movimentações do PSD nos próximos meses.






