A cobertura de gelo marinho no Ártico atingiu um dos níveis mais baixos já registrados durante o inverno de 2025-2026, segundo dados do National Snow and Ice Data Center (NSIDC) analisados pela agência de notícias Agence France‑Presse.
De acordo com as medições, a extensão máxima do gelo neste ano chegou a 14,22 milhões de km² em 10 de março, número inferior aos 14,31 milhões de km² registrados em março de 2025. Caso a tendência se mantenha até o fim do inverno no hemisfério norte, o período pode ficar entre os cinco menores níveis de cobertura de gelo em quatro décadas de observação por satélite, podendo até superar negativamente o recorde do ano passado.
Pesquisadores apontam que o Ártico vem se aquecendo quatro vezes mais rápido do que o restante do planeta, fenômeno associado ao avanço das mudanças climáticas globais. Segundo a climatologista Shaye Wolf, os indicadores atuais são preocupantes. “Os sinais de alerta indicam que estamos caminhando para um planeta superaquecido que sofrerá danos consideráveis”, afirmou.
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A redução da cobertura de gelo pode provocar diversos impactos ambientais. O gelo marinho é essencial para espécies como ursos-polares e focas, que dependem dele para reprodução e alimentação. Além disso, sua diminuição altera padrões de vento e a circulação das águas, o que pode intensificar o aquecimento local.
Outro efeito da retração do gelo é o aumento do interesse geopolítico pela região. Com o degelo, novas rotas marítimas tornam-se navegáveis e áreas ricas em recursos minerais ficam mais acessíveis. Segundo a especialista em segurança climática Elizabeth Chalecki, o cenário tem ampliado disputas entre países como Rússia, Estados Unidos e Canadá.
“O Ártico está se transformando em um novo Mediterrâneo: um espaço marítimo compartilhado, cercado por estados rivais”, alertou a pesquisadora.
A combinação entre mudanças climáticas, interesses energéticos e disputas geopolíticas tem transformado o Ártico em uma das regiões estratégicas mais sensíveis do planeta nas próximas décadas.






