O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) anunciou nesta terça-feira (23) a renovação de uma cota de importação com isenção de impostos para veículos elétricos que ingressam no país em formatos desmontados (CKD - Completely Knocked Down) e semimontados (SKD - Semi Knocked Down). A medida, que visa incentivar a transição energética e a chegada de novas tecnologias ao mercado nacional, trouxe à tona um intenso debate sobre o futuro da industrialização automobilística brasileira.
Para compreender o impacto da decisão, é fundamental distinguir os modelos logísticos adotados pelas montadoras. Enquanto os veículos CBU (Completely Built-Up) chegam ao Brasil totalmente prontos para o consumidor, as categorias CKD e SKD representam estágios intermediários de montagem. O modelo SKD, em particular, é frequentemente utilizado como porta de entrada para empresas que planejam estabelecer fábricas no país, permitindo a utilização de tecnologia e componentes que ainda não possuem cadeia produtiva consolidada em solo brasileiro.
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A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) manifestou forte oposição à prorrogação desses incentivos. Em nota oficial, a entidade classificou a decisão como intempestiva e prejudicial aos interesses dos trabalhadores e da indústria de autopeças local. Segundo a associação, a medida altera regras previamente estabelecidas e coloca em risco os R$ 140 bilhões em investimentos anunciados pelo setor até 2033, destinados à modernização industrial e ao fortalecimento da produção de veículos eletrificados dentro das fronteiras brasileiras.
Por outro lado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços defendeu a política como um passo importante para a renovação da frota e a redução das emissões de carbono. A pasta ressaltou que a iniciativa alinha-se às metas de sustentabilidade global e que a importação de veículos já montados não está submetida a cotas. O cenário atual coloca o governo em uma posição de equilíbrio delicado: buscar a democratização do acesso aos carros elétricos — cuja procura cresceu mais de 200% nos últimos anos — sem desestimular o esforço de nacionalização da produção tecnológica que o país tem buscado fomentar nos últimos meses.






