O atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reafirmou nesta quarta-feira (8) que não existem registros, auditorias ou procedimentos internos que indiquem qualquer responsabilidade ou má conduta por parte de Roberto Campos Neto, seu antecessor, em relação às irregularidades identificadas no Banco Master. A declaração foi feita durante o depoimento de Galípolo na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, onde o gestor foi questionado sobre a atuação da autarquia nos anos que antecederam a crise definitiva da instituição financeira.
O tema, que ganhou contornos políticos, foi alvo de críticas por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chegou a classificar o caso como um reflexo da gestão anterior. Diante das perguntas dos parlamentares, Galípolo buscou manter uma postura técnica, esclarecendo que a decisão pela liquidação do Banco Master, ocorrida em novembro passado, foi fundamentada em critérios objetivos de solvência. Segundo ele, o banco encontrava-se em uma espiral de deterioração de caixa, possuindo apenas 10% dos recursos necessários para honrar seus compromissos no momento em que a intervenção foi decretada.
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Questionado pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES) sobre o porquê da não liquidação antecipada do banco ainda na gestão de Campos Neto, Galípolo ressaltou a complexidade dos ritos burocráticos e jurídicos que a autoridade monetária deve observar. Ele destacou que, inclusive em sua própria gestão, as decisões de fiscalização são alvo de escrutínio por órgãos de controle, que questionam desde a morosidade até uma possível precipitação. Galípolo enfatizou que o rigor processual é indispensável para garantir que as ações do Banco Central estejam juridicamente blindadas.
Em paralelo aos esclarecimentos institucionais, o caso Master também envolve denúncias criminais específicas. Dois servidores do Banco Central foram formalmente afastados de suas funções sob a suspeita de envolvimento em uma rede de facilitação. Segundo as investigações em curso, esses funcionários teriam atuado de forma estratégica, fornecendo orientações ao Banco Master, vazando informações sigilosas e alterando documentos regulatórios em troca de vantagens indevidas. O caso segue sob investigação rigorosa por parte das autoridades competentes, visando apurar a extensão do dano e a responsabilidade de cada envolvido no esquema de corrupção que fragilizou a instituição.






