O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, continua nos Estados Unidos apesar da ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou a entrega de seu passaporte e proibiu sua saída do país. A permanência do parlamentar no exterior, em descumprimento à decisão judicial, tem preocupado oficiais de inteligência do Estado brasileiro, tanto civis quanto militares.
Ramagem deixou o Brasil em setembro, justamente no mês em que a 1ª Turma do STF julgou o núcleo central da trama golpista. Após pedido sigiloso da Polícia Federal, o ministro Alexandre de Moraes decretou sua prisão preventiva, mas o deputado já estava fora do alcance das autoridades.
Apreensão entre agentes de inteligência
A preocupação não é apenas jurídica: é estratégica. Ramagem comandou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) entre 2019 e 2022 e, como diretor-geral, teve acesso a informações classificadas, operações sensíveis, relatórios internacionais e identidades de agentes.
Entre os episódios citados por integrantes da área, está a participação de Ramagem na chamada Operação Paraguai, criada diante de suspeitas de que o governo Donald Trump incentivava ONGs a pressionar o Paraguai a interromper a venda de energia excedente de Itaipu ao Brasil. O próprio secretário Marco Rubio manifestou interesse público dos EUA na energia da usina para suprir data centers de inteligência artificial.
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“Como diretor da Abin, ele teve acesso liberado a todas as investigações e informações.
Quem vai negar algo ao diretor-geral, especialmente alguém que veio de outra instituição e não domina os protocolos de compartimentação?”, afirmou um oficial ouvido pela reportagem.
Risco de vazamento
Fontes da inteligência brasileira temem que Ramagem carregue consigo:
identidades de fontes humanas da Abin no exterior,
informações repassadas por serviços estrangeiros parceiros,
documentos classificados e análises internas,
cópias de dados sensíveis, sobretudo após relatos de que ele deixou a agência carregando um notebook institucional.
“Quem garante que não levou também informações ou cópias de documentos sensíveis?”, questionou um militar da área, sob reserva.
A permanência do deputado nos Estados Unidos, fora do alcance imediato das autoridades brasileiras, amplia o temor de que informações relevantes para a segurança nacional possam estar vulneráveis — um risco que hoje mobiliza diferentes setores do aparato de inteligência do país.






