📍 Investigação aponta falsificação de assinaturas; prejuízo pode chegar a R$ 6,3 bilhões
Uma investigação da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal, iniciada em 2023, revelou um esquema fraudulento que atingiu aposentados e pensionistas em todo o país. As apurações mostram que entidades falsificavam assinaturas para realizar descontos mensais indevidos nos benefícios do INSS, como se os beneficiários tivessem se tornado membros voluntários dessas associações — o que não era verdade.
A ação resultou na Operação Sem Desconto, deflagrada nesta quarta-feira (23), com cumprimento de 211 mandados de busca e apreensão em 34 municípios de 13 estados e no Distrito Federal. O objetivo foi desarticular o grupo responsável pela fraude.
Como funcionava o esquema
De acordo com o ministro da CGU, Vinícius de Carvalho, as entidades investigadas afirmavam oferecer serviços como assistência jurídica, descontos em academias e planos de saúde, mas, na prática, não tinham estrutura para prestar tais serviços.
A CGU entrevistou 1.300 aposentados. Desses, 97% afirmaram nunca ter autorizado os descontos. Em 72% dos casos, as entidades nem sequer entregaram ao INSS a documentação necessária para validar os descontos diretamente nos benefícios. O esquema envolvia, segundo a investigação, falsificação de
assinaturas e documentos.
“O que apuramos é que a maioria dessas pessoas não tinha autorizado esses descontos, que eram, em sua maioria, fraudados”, afirmou Carvalho.
Altos valores e bens de luxo
A PF apreendeu carros de luxo (como Ferrari e Rolls Royce), joias, obras de arte e dinheiro em espécie. Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues, apenas um dos investigados possuía bens avaliados em mais de R$ 15 milhões, e outro foi flagrado com mais de US$ 200 mil em espécie.
Seis prisões foram determinadas, sendo que três investigados continuam foragidos — todos ligados a entidades de Sergipe. Além disso, a Justiça afastou seis servidores públicos federais, entre eles o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e outros gestores da autarquia, bem como um policial federal suspeito de envolvimento com o grupo criminoso.
Valor bilionário sob investigação
Estão sendo analisados contratos que somam R$ 6,3 bilhões em descontos realizados entre 2019 e 2024. Segundo a CGU, não é possível afirmar que todo o valor seja fruto de fraude, mas há forte indício de que a maioria dos descontos não era autorizada.
“Infelizmente, o INSS não deu conta de fiscalizar adequadamente. O número de descontos cresceu sem controle, o que gerou uma bola de neve”, destacou Carvalho.
A investigação segue em curso e, segundo o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, 12 inquéritos policiais foram abertos para apurar os crimes praticados pelas entidades envolvidas.






