As Forças Armadas brasileiras registraram um volume expressivo de movimentações financeiras relacionadas ao Banco Master entre os anos de 2020 e 2026. Segundo dados obtidos através do Portal da Transparência, o montante total repassado à instituição bancária, sob a gestão de Daniel Vorcaro, atingiu a marca de R$ 137,3 milhões. Esse valor é referente a contratos de empréstimos pessoais consignados realizados diretamente na folha de pagamento dos militares das três Forças, representando cerca de 12,6% do total que o referido banco recebeu de órgãos públicos federais no mesmo período.
É fundamental ressaltar que tais valores não provêm de verbas orçamentárias do Exército, da Aeronáutica ou da Marinha. Trata-se, na prática, de uma operação técnica em que os órgãos atuam como intermediários: eles realizam o desconto das parcelas acordadas nos contracheques dos servidores e efetuam o repasse ao banco credor. O governo federal, como um todo, movimentou cerca de R$ 1 bilhão em operações similares, com o Exército Brasileiro ocupando a segunda posição no ranking de órgãos com maior volume de negociações, ficando atrás apenas da Previdência Social.
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A ascensão das operações do Banco Master junto aos militares foi notável. Antes da aquisição e assunção do controle por Vorcaro, a instituição não explorava esse nicho de mercado com intensidade. Após o início do controle em 2019, houve um salto exponencial. Em 2020, os repasses totalizaram R$ 3 milhões, subindo para R$ 43,4 milhões em 2021, um crescimento de 1.253%. O volume manteve trajetória de alta até atingir R$ 404,8 milhões em 2025, ano em que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição.
Em resposta aos questionamentos, o Comando do Exército esclareceu que o contrato foi rescindido de forma unilateral em 24 de novembro do ano passado, logo após a liquidação do banco. A Força ressaltou que sua atuação limita-se a um papel de interveniência, garantindo que o credenciamento do Banco Master seguiu todos os trâmites legais previstos em edital público, como a comprovação de regularidade fiscal e qualificação econômico-financeira. De forma semelhante, a Força Aérea Brasileira (FAB) reiterou que não houve custos para os cofres públicos e que, após a liquidação, nenhuma nova transferência foi realizada, uma vez que a entidade perdeu a capacidade de ratificar os domicílios bancários. A situação segue sendo monitorada à medida que os contratos remanescentes são liquidados.






