A Assembleia de Peritos do Irã escolheu o clérigo Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã, após a morte de seu pai, Ali Khamenei, em um ataque aéreo ocorrido durante a recente escalada militar no Oriente Médio.
Segundo informações divulgadas pela mídia iraniana, a escolha ocorreu mais de uma semana após a morte do aiatolá, atingido em meio à guerra aérea envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Um dos integrantes da Assembleia, o aiatolá Mohsen Heidari Alekasir, afirmou que o sucessor foi escolhido seguindo uma orientação deixada por Ali Khamenei de que o líder máximo do país deveria ser “odiado pelo inimigo”. Ele citou declarações do presidente americano Donald Trump, que classificou Mojtaba como uma escolha “inaceitável”.
Influência nos bastidores
Aos 56 anos, Mojtaba Khamenei acumulou influência ao longo das últimas décadas como uma figura próxima ao círculo de poder do pai e às forças de segurança do país. Ele mantém laços estreitos com o Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), força militar de elite do regime iraniano.
Analistas apontam que essa relação fortalece sua posição dentro do sistema político e de segurança do país. Segundo Kasra Aarabi, pesquisador da organização United Against Nuclear Iran, Mojtaba conta com apoio significativo dentro da Guarda Revolucionária, especialmente entre setores mais radicais e jovens.
O líder supremo do Irã exerce a autoridade máxima sobre o Estado, incluindo decisões de política externa, defesa e o programa nuclear do país — tema central nas tensões entre Teerã e potências ocidentais.
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Formação e trajetória
Mojtaba Khamenei nasceu em 1969, na cidade sagrada xiita de Mashhad. Ele cresceu durante o período de oposição ao Xá, regime derrubado na Revolução Iraniana de 1979.
Ainda jovem, participou da Guerra Irã-Iraque e posteriormente estudou teologia nos seminários religiosos de Qom, centro do ensino religioso xiita.
Ele possui o título clerical de Hojjatoleslam, um nível abaixo do posto de aiatolá ocupado por seu pai e por Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica.
Apesar da influência política, Mojtaba nunca ocupou formalmente cargos no governo e raramente aparece em público, o que alimenta críticas de opositores que veem sua ascensão como um possível sinal de dinastia política em um país que derrubou uma monarquia em 1979.
Sanções e controvérsias
Em 2019, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos impôs sanções contra Mojtaba, alegando que ele atuava em nome do líder supremo mesmo sem exercer cargo oficial.
Ele também foi alvo de críticas durante os protestos que se seguiram à morte de Mahsa Amini, em 2022, episódio que desencadeou manifestações em massa contra o governo iraniano.
A escolha de Mojtaba ocorre após a morte de outro possível sucessor ao cargo, o ex-presidente Ebrahim Raisi, que morreu em um acidente de helicóptero em 2024.
Com sua nomeação, analistas avaliam que a ala mais conservadora do regime iraniano tende a permanecer no comando do país, mantendo uma postura dura em relação ao Ocidente e às negociações sobre o programa nuclear iraniano.






