Uma festa particular organizada por comissões de formatura de estudantes do Colégio Damas, uma das instituições de ensino mais tradicionais do Recife, tornou-se o centro de um acalorado debate sobre racismo recreativo. O evento, intitulado "Deu a louca no morro", atraiu críticas severas de ativistas, educadores e figuras públicas nas redes sociais após a circulação de registros onde os alunos apareciam utilizando trajes que reproduzem estereótipos associados a moradores de periferias e comunidades carentes, como camisas de times de futebol, correntes douradas e óculos de sol específicos.
A polêmica ganhou visibilidade nacional após a jornalista e professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Fabiana Moraes, questionar a naturalização de tais comportamentos entre jovens de classe alta. Segundo a acadêmica, a performatividade do cotidiano de populações majoritariamente negras e periféricas por um grupo predominantemente branco revela uma desconexão preocupante com a realidade social brasileira, reforçando estigmas que historicamente marginalizam esses grupos. A deputada Dani Portela (PSOL) endossou as críticas, classificando o episódio como um exemplo claro de racismo recreativo, prática na qual a discriminação é camuflada sob a forma de brincadeira ou meme.
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Em resposta à repercussão, o Colégio Damas emitiu uma nota oficial esclarecendo que o evento ocorreu de forma privada, fora das dependências escolares, e sem qualquer tipo de anuência ou organização por parte da instituição. A escola ressaltou seu compromisso com valores cristãos, respeito e dignidade humana, repudiando qualquer forma de preconceito ou discurso de ódio. Por outro lado, a comissão de formatura responsável pelo evento defendeu-se, afirmando que a festa não tinha como objetivo ser uma celebração à fantasia, mas sim um momento de convivência baseado em estéticas ligadas ao funk e ao brega-funk, negando qualquer intenção de ridicularizar grupos vulnerabilizados.
A assistente social e ativista Raline Almeida destacou que o papel da escola vai além da grade curricular, sendo fundamental na formação crítica dos estudantes sobre temas sensíveis. Para ela, reduzir tais críticas a um simples "mimimi" ignora o impacto histórico e estrutural da exclusão que ainda acomete a população negra. O episódio levanta um alerta necessário sobre a responsabilidade social na organização de eventos estudantis e a importância do letramento racial em ambientes educativos de elite, onde o desconhecimento sobre as vivências periféricas pode acabar por reiterar preconceitos sob a máscara da descontração social.






