O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, lançou duras críticas à política de segurança pública conduzida pela gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em entrevista concedida nesta quarta-feira (8) ao 'Canal do Barão', o petista expressou preocupação com o que descreveu como o avanço de milícias no interior paulista. Segundo Haddad, a aparente redução da presença ostensiva do Estado em determinadas regiões tem criado um vácuo de poder, que estaria sendo ocupado por empresas privadas de segurança, as quais ele classificou como o embrião para a estruturação de grupos paramilitares similares aos que historicamente operam no Rio de Janeiro.
Para o pré-candidato, o cenário de insegurança é agravado por uma delicada situação fiscal que, na sua visão, compromete os investimentos necessários nas forças policiais. Haddad mencionou que o estado enfrenta desafios financeiros significativos e argumentou que o aumento dos custos logísticos para o transporte de mercadorias é um reflexo direto da vulnerabilidade enfrentada nas estradas. A declaração ocorre em um contexto de intensas operações contra o crime organizado em São Paulo e estados vizinhos, como a recente ação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), que desarticulou uma quadrilha especializada em roubo de cargas.
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Em nota oficial, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) rebateu os apontamentos, defendendo que o enfrentamento à criminalidade é realizado com base em estratégia, tecnologia e inteligência integrada. O governo estadual destacou dados positivos, afirmando que houve uma redução de 34% nos registros de roubos de carga nos cinco primeiros meses de 2026, atingindo o menor patamar da série histórica. A pasta ressaltou que programas como o 'Procarga' e a integração de câmeras de monitoramento via 'Muralha Paulista' têm sido fundamentais para conter a atuação de organizações criminosas no estado.
Além do debate sobre segurança, o cenário eleitoral foi pautado pela divulgação recente da pesquisa Datafolha, que mantém Tarcísio de Freitas na liderança da corrida ao Palácio dos Bandeirantes, com 46% das intenções de voto contra 30% de Haddad. O ex-ministro, por sua vez, demonstrou abertura para compor alianças com partidos de esquerda, sublinhando a necessidade de diálogo em um processo que especialistas consideram um embate que pode ser definido ainda no primeiro turno. Haddad reiterou que, caso eleito, sua prioridade será centralizar a gestão da segurança pública, defendendo a integração de dados e a cooperação entre forças estaduais e federais como o caminho para restaurar a ordem e a segurança da população paulista.






