As federações partidárias voltaram ao centro das articulações nacionais após União Brasil e Progressistas (PP) protocolarem, na última quinta-feira, o pedido de registro da federação União Progressista no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O tribunal tem até seis meses antes da eleição de 2026 para validar a união, já sacramentada politicamente, mas travada por divergências internas. Se confirmada, será a maior força partidária do país.
A menos de um ano das urnas, as federações deixaram de ser apenas arranjos formais e passaram a influenciar diretamente candidaturas, alianças e o posicionamento das principais lideranças. Em Pernambuco, onde os blocos possuem atores competitivos, o impacto é decisivo diante de uma possível disputa entre Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB).
A União Progressista reunirá 108 deputados federais, 12 senadores, 1.335 prefeitos e sete governadores, mas, em Pernambuco, enfrenta entraves. O comando ficará com Eduardo da Fonte (PP), aliado de Raquel Lyra e pré-candidato ao Senado. Do outro lado está Miguel Coelho (União Brasil), também interessado na vaga ao Senado e aliado de João Campos.
As tensões se ampliam no plano federal: Ciro Nogueira (PP) defende Tarcísio de Freitas à Presidência, enquanto Antonio Rueda (União) articula candidatura própria com Ronaldo Caiado. Em Pernambuco, Eduardo da Fonte nega apoio atual ao governo Lula, e Miguel Coelho — eleitor de Bolsonaro em 2022 — tenta se viabilizar na chapa de João Campos, o que torna seu projeto ao Senado ainda mais sensível.
Outro bloco em ascensão é a recém-criada federação Renovação Solidária (Solidariedade + PRD), aprovada pelo TSE. Juntas, as siglas somam um governador, 140 prefeitos, 10 deputados federais e mais de 2,6 mil vereadores. Em Pernambuco, a liderança fica com Marília Arraes, que mira o Senado ao lado de Lula e, preferencialmente, na chapa de João Campos.
O PRD, comandado por Josafá Almeida, deixou a base de Raquel Lyra e se aproximou do PSB. Porém, Marília pode deixar o Solidariedade — especialmente após convites do PDT — o que pode manter sua proximidade com João Campos fora da federação. A mudança afetaria também a irmã, Maria Arraes, que precisaria migrar de partido caso a disputa interna se agrave.
A federação PT–PCdoB–PV, criada em 2022, ainda discute sua renovação. O grupo controla quatro governos estaduais e 80 cadeiras na Câmara, mas enfrenta rachas, especialmente em Pernambuco: parte do PT mantém alinhamento com Raquel Lyra, enquanto o diretório do Recife apoia João Campos. Apesar das tensões, o bloco fecha questão na defesa da reeleição de Lula.
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Outro bloco de 2022 que permanece é a federação PSOL–Rede, que elegeu 14 deputados federais e governa quatro prefeituras (todas da Rede). Em Pernambuco, faz oposição a Raquel Lyra e mantém postura de “oposição independente” a João Campos. A deputada estadual Dani Portela representa a federação, mas especulações sobre sua migração ao PT obrigam o grupo a montar chapa própria para manter presença na Alepe.
As tratativas por novas federações seguem por 2025. Uma possível união entre PSB e Cidadania esbarra em impasses internos e no acordo ainda vigente entre Cidadania e PSDB. Com o fim dessa federação, os tucanos buscam novos arranjos — inclusive uma fusão com o Podemos, ainda indefinida.
Outra negociação forte envolve MDB e Republicanos. Se confirmada, a federação seria a maior bancada do Senado e a terceira da Câmara, com nomes de peso como Tarcísio de Freitas, cotado para a Presidência.
Em Pernambuco, a federação poderia fortalecer a eventual candidatura de João Campos ao Governo do Estado. O Republicanos tem unidade sob o ministro Silvio Costa Filho, pré-candidato ao Senado. Já o MDB vive crise interna liderada por Raul Henry, aliado de João Campos, mas contestado por figuras como Jarbas Filho e Fernando Dueire.
As alianças seguem abertas — e as federações, que ganharam nova centralidade, devem definir os rumos das eleições de 2026.






