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Famílias de crianças com microcefalia em Pernambuco enfrentam entraves na liberação de benefício do INSS

Por Redação Arcoverde Agora
Famílias de crianças com microcefalia em Pernambuco enfrentam entraves na liberação de benefício do INSS

Nove meses após a promulgação da lei federal que garante indenização e pensão vitalícia a crianças nascidas com microcefalia associada ao Zika vírus, o cenário para centenas de famílias pernambucanas permanece marcado pela incerteza. A legislação, sancionada pelo Congresso Nacional em junho de 2025, estabelece o pagamento de uma indenização única de R$ 50 mil e uma pensão mensal de R$ 8.475, como forma de reparação pelos danos sofridos diante da epidemia. No entanto, o que deveria ser um amparo imediato tem se transformado em uma longa jornada de espera, com mais de 100 crianças em Pernambuco ainda sem acesso ao recurso que é garantido por lei.

Embora cerca de 350 famílias no estado já recebam o valor, a fila para novas concessões estagnou desde janeiro de 2024. Segundo relatos de associações, a paralisia no atendimento é reflexo de uma decisão administrativa do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que centralizou a análise dos processos de Pernambuco em uma unidade em Anápolis, Goiás. A mudança logística gerou um gargalo burocrático que penaliza mães que, diariamente, lutam para prover terapias, medicamentos e suporte básico aos filhos que apresentam limitações severas em decorrência da síndrome congênita.

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Germana Soares, presidente da Associação de Mães de Anjos, manifestou indignação diante do descaso. Após uma década de luta pelo reconhecimento estatal das falhas no enfrentamento à crise sanitária, as famílias agora se veem reféns de sistemas internos do Ministério da Previdência. "Peregrinamos anos por reconhecimento e, agora, enfrentamos burocracias desnecessárias", afirma Soares. A angústia é compartilhada por mães como Conceição da Silva, que, sem o benefício, vive em condições precárias e sobrevive apenas com o Benefício de Prestação Continuada (BPC), valor insuficiente para arcar com as necessidades crescentes de sua filha de 10 anos.

O impacto dessa demora vai muito além da questão financeira; trata-se de um direito constitucional à saúde e à dignidade. Tratamentos vitais, como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e a aquisição de equipamentos ortopédicos, dependem diretamente desses recursos. Enquanto a administração pública não oferece respostas sobre a morosidade na análise dos processos, a frustração das famílias cresce, reforçando a urgência de uma revisão administrativa. O INSS, até o fechamento desta reportagem, não se pronunciou sobre os motivos da transferência de competência para o estado de Goiás ou sobre a previsão para a normalização dos pagamentos devidos aos cidadãos pernambucanos.

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