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Família de servidora de Arcoverde denuncia omissão médica após cirurgia causar dano cerebral grave

Por Redação Arcoverde Agora
Família de servidora de Arcoverde denuncia omissão médica após cirurgia causar dano cerebral grave

A família de Camila Wanderley, servidora pública e consultora de moda que mora e trabalha em Arcoverde, no Sertão de Pernambuco, acusa médicas do Recife de omissão médica após uma cirurgia considerada de baixa complexidade resultar em dano cerebral grave.

Camila foi internada em 27 de agosto de 2025 para realizar a retirada da vesícula e a correção de uma hérnia inguinal, procedimentos rotineiros na rede hospitalar. No entanto, após receber anestesia geral, a paciente teria apresentado sete episódios consecutivos de apneia, culminando em uma parada cardiorrespiratória, segundo perícia independente contratada pela família.

Desde então, Camila permanece internada em uma UTI, com perda severa de funções neurológicas, sem fala, locomoção ou visão, respirando apenas com suporte básico.

Um laudo pericial divulgado com exclusividade pela Folha de São Paulo aponta que os alertas emitidos pelo monitor multiparamétrico, que indicavam queda acentuada da saturação de oxigênio, teriam sido ignorados pela equipe médica, que mesmo assim deu continuidade ao procedimento cirúrgico. O equipamento teria registrado dezenas de alertas ao longo de 27 minutos.

Diante dos fatos, a defesa da família denunciou uma das médicas ao Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe). Em nota, o órgão informou que a denúncia está sob apuração e que os processos correm em sigilo.

O Hospital Esperança, onde a cirurgia foi realizada, afirmou por meio de nota que as médicas envolvidas não integram o corpo clínico da unidade e foram escolhidas pela própria paciente.

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A defesa da cirurgiã Clarissa Guedes Noronha declarou que o procedimento cirúrgico foi realizado com total precisão técnica, destacando que o monitoramento dos sinais vitais é atribuição da equipe de anestesiologia. Já a defesa da anestesiologista Mariana Parahyba informou que não irá se manifestar neste momento.

Camila Wanderley é servidora da Justiça de Pernambuco, filha do juiz federal Roberto Nogueira, do TRF-5, casada e mãe de dois filhos. Ela também atua como consultora de moda e mantém um quadro semanal com dicas no programa “De Primeira Categoria”, da Rádio Itapuama, em Arcoverde.

Segundo o pai da paciente, o impacto na família é devastador. “Ela não fala, não anda, não vê. Respira sozinha, mas perdeu as partes cognitiva e locomotora. É como se fosse um bebê de novo”, relatou.

Imagens das câmeras de segurança do hospital mostram que Camila chegou andando à unidade por volta das 5h, acompanhada do marido, o médico oftalmologista Paulo Menezes. O primeiro alerta de apneia foi registrado às 10h47, e a paciente ficou cerca de 15 minutos em parada cardíaca antes de ser reanimada.

Além da denúncia ao Cremepe, a família prepara uma ação judicial. Segundo o advogado Igor Cesar Rodrigues, o objetivo é apurar responsabilidades e buscar reparação pelos danos causados. “A cirurgia seguiu com a paciente praticamente sem sinais vitais. Entendemos que houve uma conduta grave de omissão”, afirmou.

Em nota final, o Hospital Esperança declarou que prestou todo o suporte necessário e reafirmou seu compromisso com a segurança dos pacientes.

A reportagem tem origem no Portal Folhapress, com apuração dos jornalistas Luis Eduardo de Sousa e Josué Seixas, da Folha de São Paulo.

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