O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) enfrenta um cenário crítico devido a falhas recorrentes em seus sistemas operacionais, responsáveis pela análise e concessão de aposentadorias, pensões e auxílios. Um relatório técnico interno revelou um prejuízo estimado em R$ 233,2 milhões, decorrente da incapacidade dos servidores de operarem o sistema de forma plena entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2026. A gestão tecnológica dessas plataformas é de responsabilidade da Dataprev, empresa pública que agora se vê no centro de uma intensa disputa administrativa e contratual.
De acordo com o documento, entre 5% e 15% de todos os pedidos de benefícios foram comprometidos em decorrência das instabilidades técnicas. Em momentos de crise aguda, como em fevereiro de 2026, o impacto chegou a atingir quase 40% das análises, travando significativamente a fila de espera do instituto. Esse represamento é apontado pelo governo como um dos principais entraves para a celeridade do atendimento ao cidadão, contribuindo para que o estoque de requerimentos pendentes atingisse a marca de 3,1 milhões de pedidos ao final de fevereiro de 2026.
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O impacto financeiro bilionário reflete diretamente o custo com a remuneração de servidores que, embora presentes e aptos ao trabalho, permaneceram ociosos devido às quedas constantes das ferramentas de TI. O agravamento dessa situação teria sido um dos fatores determinantes para a saída recente de Gilberto Waller da presidência do órgão. Em resposta às acusações, a Dataprev refutou os dados apresentados, alegando que não teve acesso à nota técnica e que os critérios utilizados para calcular o prejuízo são desconhecidos pela empresa. Segundo a estatal, o cumprimento dos Acordos de Nível de Serviço (ANS) manteve-se dentro da média de mercado, com disponibilidade superior a 96% no período analisado.
Diante do impasse, o INSS estuda agora o acionamento de sua Procuradoria Federal Especializada para avaliar juridicamente a cobrança de reparação por parte da Dataprev. A administração do instituto reforça que a estabilidade tecnológica é uma premissa inegociável para garantir o acesso da população a direitos fundamentais. A empresa de tecnologia, por sua vez, argumenta que eventuais instabilidades podem estar associadas a fatores externos, como falhas em redes de conectividade locais, e não necessariamente ao processamento central dos sistemas de benefícios, mantendo sua defesa quanto à eficiência da infraestrutura oferecida ao Governo Federal.






