O mercado global de café apresentou resultados distintos em março deste ano, conforme revelado pelo recente relatório da Organização Internacional do Café (OIC). As exportações mundiais de café verde, grão ainda não processado para a torrefação, registraram um crescimento de 0,8% na comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando 11,7 milhões de sacas de 60 quilos. O cenário, contudo, é marcado por uma nítida divergência de desempenho entre as variedades de robusta e arábica, que compõem o pilar do comércio internacional da commodity.
Enquanto a demanda global segue firme, o café robusta — amplamente utilizado pela indústria de cafés solúveis e blends comerciais — atingiu um patamar recorde de exportação. Com um salto de 24% em relação ao mesmo mês de 2023, o volume atingiu a marca de 5,52 milhões de sacas. Esse avanço foi fortemente impulsionado pelo Vietnã, o maior produtor global desta variedade, que ampliou seus embarques em 30,3%, consolidando sua posição estratégica no fornecimento global frente às oscilações de oferta observadas em outras regiões produtoras.
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Por outro lado, o segmento de arábica, conhecido por seu maior valor agregado e presença em produtos premium, enfrentou um desempenho mais moderado ou de retração em diversos polos produtores. Na Colômbia, referência mundial em arábicas suaves, as exportações sofreram uma queda expressiva de 33,8%, atingindo 880 mil sacas, reflexo de desafios internos no abastecimento local. O Brasil, líder na produção de arábicas naturais, também sentiu o impacto. Os embarques brasileiros desta categoria, que é um dos carros-chefes das exportações nacionais, recuaram 16,8% em março, totalizando 2,71 milhões de sacas.
Especialistas do setor destacam que a tendência de busca por sustentabilidade e exigências qualitativas cada vez mais rigorosas pelo mercado internacional continuam sendo determinantes. No Brasil, o foco em práticas sustentáveis, como o adotado por cooperativas do porte da Cooxupé, permanece como um diferencial competitivo essencial para a manutenção da relevância do grão nacional em um mercado global que alterna momentos de oferta restrita e demanda aquecida, especialmente no que tange ao contraste entre as variedades de arábica e robusta.






