Uma recente expedição realizada pela Fundação SOS Mata Atlântica, em uma parceria estratégica com universidades brasileiras e o Instituto Itaúsa, revelou um cenário alarmante sobre a qualidade das águas no Rio Tietê. Após percorrer mais de 1.100 quilômetros desde a nascente, em Salesópolis, até a foz no Rio Paraná, pesquisadores coletaram amostras em 14 pontos distintos, identificando a presença de 25 tipos de agrotóxicos. O material analisado pelo Laboratório de Ecotoxicologia do CENA/USP confirma que herbicidas, fungicidas e inseticidas, amplamente utilizados em culturas de cana-de-açúcar, soja e citros, estão contaminando toda a bacia hidrográfica.
Entre as substâncias encontradas, destaca-se a atrazina, um herbicida utilizado para o controle de plantas daninhas que, desde 2004, está banido na União Europeia devido aos seus severos riscos à saúde humana e ao equilíbrio ecológico. Mais grave ainda é a recente classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que aponta a atrazina como uma substância com potencial carcinogênico. O levantamento mostrou que, em diversos trechos, a concentração deste componente superou os limites permitidos pela Resolução Conama nº 357/2005, evidenciando uma falha crítica na gestão dos recursos hídricos e na proteção do meio ambiente brasileiro.
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A pesquisa detalhou que herbicidas como tebutiurom e clomazona foram detectados em 100% dos pontos de coleta, demonstrando a ubiquidade desses agentes químicos. Mesmo em áreas consideradas relativamente preservadas, como a nascente do rio, foram identificados resíduos químicos. A equipe técnica da expedição ressaltou que a presença simultânea de múltiplos agrotóxicos pode potencializar os danos aos organismos aquáticos, afetando a fauna local e desequilibrando cadeias alimentares inteiras. Além dos agrotóxicos, o estudo identificou microplásticos e resíduos de medicamentos e drogas ilícitas, como a cocaína, ao longo do percurso.
O relatório da SOS Mata Atlântica levanta um ponto crítico sobre o abastecimento público. Como o Rio Tietê percorre regiões densamente povoadas, sua água é frequentemente captada para o consumo da população. Contudo, os sistemas convencionais de tratamento de água existentes não possuem eficácia garantida na remoção de contaminantes orgânicos complexos, como é o caso desses agrotóxicos. A urgência de políticas públicas mais rigorosas e de um monitoramento ambiental contínuo torna-se evidente para evitar que a população seja exposta a riscos crônicos de saúde. A transparência desses dados é o primeiro passo para exigir medidas que assegurem a integridade dos nossos rios e a segurança da água que chega às torneiras das famílias.






