O ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) esclarecendo os bastidores do polêmico investimento de R$ 970 milhões realizado em Letras Financeiras do Banco Master. Durante o interrogatório, Antunes atribuiu a proposição do aporte ao então diretor de investimentos da autarquia, Euchério Lerner Rodrigues. O Rioprevidência, entidade fundamental para a gestão de 235 mil aposentados e pensionistas do estado do Rio de Janeiro, encontra-se sob escrutínio das autoridades após suspeitas de irregularidades na condução de seus ativos financeiros.
Antunes negou categoricamente que sua nomeação para o comando da autarquia tenha possuído viés político, rebatendo informações que apontavam uma possível indicação pelo presidente do União Brasil, Antônio Rueda. Sobre o procedimento técnico dos investimentos, o ex-gestor justificou que os aportes seguem fluxos administrativos internos de larga escala. Segundo ele, as decisões partem da Diretoria de Investimentos e são formalizadas em blocos de assinaturas, um procedimento adotado devido ao alto volume de demandas diárias que a instituição enfrenta para garantir o pagamento dos benefícios previdenciários.
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Ao ser questionado sobre a escolha do Banco Master, o ex-presidente argumentou que a equipe técnica do Regime Próprio de Previdência Social, composta por cerca de dez pessoas, não possuía a estrutura necessária para detectar riscos que nem mesmo os órgãos de fiscalização nacionais, como o Banco Central, conseguiram identificar inicialmente. Ele enfatizou ainda que não houve descumprimento de obrigações formais, mencionando que a análise reputacional de sócios, citada pelo Tribunal de Contas, não era uma obrigação regulatória na época dos fatos.
O depoimento de Deivis Marcon Antunes ocorreu em 3 de fevereiro, logo após sua prisão em uma operação da PF realizada na Rodovia Presidente Dutra. O ex-gestor havia retornado dos Estados Unidos e seguia em direção ao Rio de Janeiro quando foi abordado. Enquanto as investigações prosseguem, o ex-governador Cláudio Castro (PL) afirmou não se recordar especificamente de quem teria indicado o nome de Antunes para a função, ressaltando o grande número de indicações que sua gestão acumulou. O cenário permanece sob atenção, com a defesa de Antunes mantendo que não houve recebimento de propinas ou condutas ilícitas pessoais no processo de alocação dos recursos do Rioprevidência.






