A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS) informou, nesta segunda-feira (2), que o cadeirante Maycon Douglas de Jesus Almiron, de 30 anos, foi enterrado como indigente após não ser identificado formalmente no momento da liberação do corpo. Segundo o órgão, ele não portava documentos e não houve contato com familiares dentro do prazo legal.
Maycon foi arremessado do quarto andar de um prédio em Boa Viagem, no dia 13 de fevereiro. De acordo com a investigação da Polícia Civil de Pernambuco, o responsável pelo crime foi Thiago Regalado Carvalheira, de 35 anos, que estaria em surto no momento do ocorrido. Após lançar Maycon junto com a cadeira de rodas elétrica, Thiago também se jogou do edifício e morreu.
O corpo da vítima permaneceu por 13 dias no Instituto de Medicina Legal (IML), em Santo Amaro, no Recife. No dia 26 de fevereiro, foi sepultado no Cemitério Parque das Flores, em Tejipió, Zona Oeste da capital.
Procedimento legal
A SDS explicou que o sepultamento seguiu as normas da portaria nº 1461/2014, que estabelece que corpos não reclamados em até oito dias podem ser liberados para enterro, independentemente de ordem judicial. O órgão ressaltou ainda que mantém arquivados dados como fotografias, impressões digitais e laudos periciais, garantindo acesso posterior aos familiares ou representantes legais.
A Polícia Civil informou que a 3ª Delegacia de Homicídios adotou medidas para identificar parentes, inclusive com a divulgação de vídeo nas redes sociais pelo delegado responsável pelo caso. O inquérito foi concluído e encaminhado ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) no próprio dia 26 de fevereiro.
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Família quer reconhecimento e reabertura do caso
Os parentes de Maycon, naturais de Mato Grosso do Sul, afirmam que só souberam da morte no dia do enterro, após a repercussão nas redes sociais. A prima da vítima, Maria Gabriela Almiron, declarou que a família pretende viajar a Pernambuco para regularizar a situação do sepultamento, obter a certidão de óbito e solicitar a reabertura do inquérito.
Segundo ela, a família não pretende realizar a exumação do corpo, mas lamenta não ter conseguido se despedir. “Nem a mãe dele conseguiu ver o corpo. Estamos vivendo dias de muita dor”, afirmou.
Quem era Maycon
Natural de Mato Grosso do Sul, Maycon tinha má-formação nos braços e nas pernas e foi campeão de bocha adaptada nos Jogos Parapan-Americanos de Jovens de 2013, em Buenos Aires. Ele recebia pensão pela deficiência física e costumava viajar pelo Brasil, passando temporadas em diferentes cidades.
Familiares relatam que ele gostava de vender doces nas ruas e frequentemente ficava longos períodos sem contato. A última vez que esteve no estado natal foi em julho de 2025. Entre as cidades por onde passou estão São Paulo, João Pessoa, Blumenau e Recife, onde ocorreu o crime.
O prédio onde o caso aconteceu fica próximo ao Segundo Jardim de Boa Viagem, área nobre da capital pernambucana. Testemunhas relataram que Maycon vendia doces na orla quando foi convidado por Thiago para ir ao apartamento. No local, o agressor teria apresentado comportamento agressivo antes de cometer o crime.
O caso segue sob acompanhamento do Ministério Público, enquanto a família busca esclarecimentos formais sobre os procedimentos adotados e as circunstâncias finais do episódio.






