O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, foi preso na última sexta-feira (26) no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, no Paraguai, enquanto tentava fugir do país com destino a El Salvador. Foragido da Justiça brasileira, ele foi detido pelas autoridades paraguaias e posteriormente entregue à Polícia Federal do Brasil.
Após a prisão, Vasques passou a noite em uma cela da Polícia Federal em Foz do Iguaçu e, no sábado, foi transferido para Brasília, onde cumpre prisão preventiva no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, localizado no Complexo Penitenciário da Papuda, conhecido como “Papudinha”.
Diante do novo cenário, a defesa do ex-diretor da PRF ingressou com pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para que ele cumpra a prisão em Santa Catarina, preferencialmente em São José ou Florianópolis, alegando necessidade de preservação de sua integridade física e mental.
Segundo os advogados, “a manutenção da custódia de Silvinei Vasques no estado de Santa Catarina mostra-se medida adequada, proporcional e juridicamente recomendável”, destacando ainda os vínculos familiares, sociais e profissionais do investigado com o estado.
Fuga frustrada e versão falsa sobre câncer
A tentativa de fuga ganhou contornos ainda mais graves após a Polícia Federal revelar que Vasques utilizava um passaporte paraguaio falso, em nome de Julio Eduardo. Para evitar se comunicar em espanhol e levantar suspeitas, ele portava uma carta afirmando que não podia falar nem ouvir por conta de uma suposta doença grave.
No documento, Vasques alegava ter “Glioblastoma Multiforme – Grau IV, câncer localizado no cérebro”, afirmando estar impossibilitado de se comunicar verbalmente. A carta também citava tratamentos de radioterapia e quimioterapia realizados em dezembro de 2025 e listava diversos medicamentos, inclusive para HIV, depressão, hipertensão e insônia.
Apesar disso, o texto contraditoriamente afirmava que ele estava “completamente lúcido(a), consciente e em condições clínicas adequadas para realizar a viagem”.
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A prescrição médica apresentada estava em papel timbrado do Hospital Ministro Costa Cavalcanti, de Foz do Iguaçu, com assinatura atribuída a um médico chamado Carlos Sodré de Oliveira. No entanto, a Fundação de Saúde Itaiguapy, administradora do hospital — atualmente denominado Hospital Itamed — divulgou nota oficial negando qualquer vínculo.
Segundo a instituição, “o médico citado não possui vínculo com o Hospital Itamed, tampouco integra nosso corpo clínico”. A nota ainda esclarece que o número de CRM informado não corresponde a nenhum profissional da unidade ou da cidade, além de destacar que a logomarca utilizada no documento é antiga e não é mais usada desde 11 de dezembro de 2024.
O hospital afirmou ser vítima de possível fraude e uso indevido de sua imagem institucional, reforçando que não validou nem emitiu o documento apresentado.
Detalhes da fuga
De acordo com informações enviadas pela PF ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, Vasques deixou sua residência em São José (SC) às 19h22 da quarta-feira (24), véspera de Natal, ainda utilizando tornozeleira eletrônica.
Ele viajou em um carro alugado, levando rações, tapetes higiênicos e seu cão da raça pitbull. Após romper a tornozeleira, seguiu até o Paraguai sem ser localizado. Por volta das 20h10, uma equipe da Polícia Penal esteve em seu apartamento, mas não encontrou ninguém no local nem o veículo na garagem.
Com camiseta verde, óculos, barba por fazer e curativos aparentes, Vasques cruzou a fronteira de carro e tentou embarcar para El Salvador, mas foi identificado e preso no aeroporto de Assunção, encerrando a tentativa de fuga internacional.






