O Departamento de Justiça dos Estados Unidos vai divulgar, dentro de 30 dias, os documentos ainda sigilosos relacionados ao caso Jeffrey Epstein. A informação foi confirmada nesta quarta-feira pela procuradora-geral de Justiça, Pam Bondi, durante coletiva em Washington. Segundo ela, o governo seguirá “a lei com máxima transparência” e continuará incentivando vítimas a denunciar abusos.
A decisão ocorre após Câmara e Senado aprovarem um projeto que obriga a abertura integral dos arquivos. O texto agora depende de sanção do presidente Donald Trump. Mesmo assim, parlamentares republicanos demonstram preocupação com possíveis atrasos, especialmente porque o próprio Trump determinou investigações sobre supostos vínculos de Epstein com líderes democratas.
O caso voltou à pauta após novos documentos bipartidários citarem o ex-presidente. Em um e-mail de 2011, Epstein afirma que Trump passou “horas” em sua casa com uma menor de idade, cujo nome foi mantido sob sigilo. Em outra mensagem, de 2019, o financista escreveu que “Trump sabia das garotas”, referência à rede de tráfico sexual comandada por ele. Trump nega qualquer envolvimento e diz ter rompido relações com Epstein em 2004.
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Vítimas cobram justiça e denunciam “traição institucional”
Em coletiva no Capitólio, sobreviventes reforçaram que a liberação dos documentos é fundamental para que haja justiça. Annie Farmer, uma das vítimas mais conhecidas, afirmou que elas enfrentam “traição institucional há anos”. Sua irmã, Maria Farmer — a primeira mulher a denunciar Epstein em 1996 — também destacou que falhas graves se repetiram em administrações democratas e republicanas, permitindo que o esquema seguisse por décadas.
As investigações federais apontam que Epstein abusou e explorou sexualmente dezenas de meninas, muitas menores de idade, principalmente em suas casas em Nova York e na Flórida. Entre 2002 e 2005, ele recrutava jovens para encontros em suas propriedades e as pagava em dinheiro logo após os abusos. Estimativas indicam que o número total de vítimas pode ultrapassar mil.
Jeffrey Epstein morreu na prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual. Sua cúmplice, Ghislaine Maxwell, considerada peça-chave na operação criminosa, foi condenada em 2022 a 20 anos de prisão. A defesa dela tenta reduzir a pena.






