O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (17) que não descarta enviar tropas para a Venezuela, ampliando a tensão em torno da mobilização militar americana no Caribe. A declaração ocorre em meio a uma operação intensificada desde agosto, que, segundo a Casa Branca, visa combater o tráfico internacional de drogas — mas que analistas acreditam ter como objetivo final a remoção de Nicolás Maduro do poder.
Desde o início da operação, navios de guerra, aeronaves e o maior porta-aviões do mundo foram posicionados na região. Em dois meses, esse aparato bombardeou mais de 20 embarcações suspeitas, resultando em mais de 70 mortos. A ampliação das ações coincidiu com a decisão dos EUA de dobrar para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à captura de Maduro, acusado de comandar o Cartel de los Soles, classificado como organização terrorista internacional.
Nesta segunda-feira, ao ser questionado sobre a possibilidade de uma ofensiva terrestre, Trump respondeu: “Nada está descartado. Temos que dar um jeito na questão da Venezuela.” Ele também acusou o país vizinho de enviar “centenas de milhares de pessoas das prisões” para os EUA.
Especialistas apontam barreiras geográficas e falta de contingente
Apesar do tom duro da Casa Branca, analistas militares consideram a hipótese de uma invasão terrestre altamente improvável no momento.
Para Maurício Santoro, doutor em Ciência Política pelo Iuperj e colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha, os EUA não dispõem hoje de tropas suficientes no Caribe para sustentar uma operação dessa magnitude.
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A Venezuela apresenta desafios significativos:
916.445 km² de território — maior que Mato Grosso;
Cordilheiras dos Andes e de Mérida, que dificultam operações;
Floresta Amazônica e Llanos, regiões de difícil acesso e sujeitas a alagações;
Caracas a mais de 900 metros de altitude, o que complica ofensivas rápidas.
Segundo Santoro, guerrilhas leais ao regime poderiam recuar para áreas remotas e prolongar o conflito, exigindo ainda a ocupação de grandes centros urbanos — algo que demanda um número expressivo de militares.
Atualmente, estimativas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) apontam que cerca de 13 mil soldados americanos estão mobilizados no Caribe. Para uma invasão, seriam necessários ao menos 50 mil, podendo chegar a 150 mil para uma ocupação prolongada.
Ele compara:
Invasão do Iraque (2003): ~100 mil soldados, número depois considerado insuficiente.
Invasão do Panamá (1989): ~25 mil soldados, em um território com menos de 10% do tamanho da Venezuela.
Maduro pede diálogo, mas admite desequilíbrio militar
Enquanto isso, Nicolás Maduro afirmou estar disposto a uma conversa “cara a cara” com Trump e reforçou apelos pela paz, reconhecendo o enorme desequilíbrio entre as forças armadas de ambos os países. O Exército venezuelano enfrenta problemas estruturais e limitações impostas por sanções internacionais.
Cenário mais provável
Segundo especialistas, o movimento mais realista seria os EUA tomarem ilhas próximas ao litoral venezuelano ou portos estratégicos, restringindo o acesso do país ao mar — uma ação de pressão sem necessidade de ocupação total do território.






