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Estudo revela que mulheres negras permanecem na base da desigualdade econômica no Brasil

Por Redação Arcoverde Agora
Estudo revela que mulheres negras permanecem na base da desigualdade econômica no Brasil

Apesar dos notáveis avanços do Brasil em áreas como educação, distribuição de renda e inclusão social nos últimos anos, as disparidades estruturais baseadas em raça e gênero persistem como um desafio central para o desenvolvimento do país. Um levantamento recente, denominado Índice de Justiça Econômica Racial (IJER), trouxe dados alarmantes que confirmam a permanência das mulheres negras na base da pirâmide socioeconômica brasileira, evidenciando que o progresso econômico, quando ocorre de forma generalizada, raramente alcança as camadas mais vulneráveis da população na mesma proporção. O estudo, fruto de uma parceria entre a Fundação Grupo Volkswagen e o Fundo Agbara, analisou dados do IBGE e do Ipea, traçando um panorama claro sobre como a identidade racial e o gênero determinam o acesso a oportunidades.

Entre 2016 e 2023, a discrepância salarial tornou-se um marcador evidente de desigualdade. Enquanto o país registrou crescimento na renda média, os homens brancos continuaram a deter os maiores rendimentos, seguidos por mulheres brancas, homens negros e, por fim, mulheres negras. Para se ter uma dimensão da disparidade, em 2023, a renda per capita de mulheres negras situou-se em R$ 1.191,66, enquanto a de homens brancos alcançou R$ 2.381,43, demonstrando que o abismo salarial permanece praticamente inalterado. Especialistas apontam que o “elevador social” brasileiro está travado, exigindo, em muitos casos, até nove gerações para que uma família consiga sair da extrema pobreza e ascender à classe média, um fenômeno que reflete a rigidez da estrutura social nacional.

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A precariedade laboral é outro pilar que sustenta essa desigualdade. Apenas 33,3% das mulheres negras possuíam carteira assinada em 2023, sendo este o grupo com maior concentração no trabalho doméstico informal e em ocupações voltadas ao cuidado, atividades frequentemente subvalorizadas pelo mercado. A coordenadora de pesquisa do Fundo Agbara, Priscila Soares, ressalta que essa exclusão é fruto da falta de políticas públicas que considerem, simultaneamente, as interseccionalidades de raça e gênero. Quando o Estado implementa políticas universais sem recortes específicos, a eficácia na redução de assimetrias históricas é drasticamente reduzida, deixando as mulheres negras desamparadas pelo próprio sistema que deveria promover a inclusão.

Além do mercado de trabalho, a desigualdade se reflete no acesso à moradia digna e à educação de qualidade. Dados do IJER apontam que 31,6% das mulheres negras ainda dependem de fossas rudimentares, em comparação com 20,7% das mulheres brancas, evidenciando o fosso na infraestrutura básica. No campo acadêmico, a necessidade de ingresso precoce no mercado de trabalho para subsidiar o sustento familiar impede que muitas mulheres negras concluam o ensino superior. A recomendação dos pesquisadores é clara: o Brasil precisa de ações afirmativas focadas no território e na identidade, valorizando o trabalho de cuidado e garantindo mecanismos de permanência estudantil. Sem uma mudança na abordagem das políticas públicas, o país continuará a repetir padrões de exclusão que perpetuam a injustiça econômica por gerações.

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