Usuários do sistema de transporte público nas 27 capitais brasileiras e suas respectivas regiões metropolitanas poderiam gerar um impacto econômico direto de R$ 45,6 bilhões anuais caso a política de Tarifa Zero fosse implementada. A conclusão é fruto de um estudo técnico desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que buscou analisar a viabilidade e os reflexos sociais da gratuidade irrestrita em ônibus e metrôs.
Segundo o levantamento, ao eliminar o custo da passagem, o orçamento doméstico das famílias de baixa renda seria aliviado de forma significativa. Com os valores poupados diariamente — estimados entre R$ 8 e R$ 10 por trabalhador —, o capital seria redirecionado para o consumo de bens essenciais, como alimentação, saúde e serviços locais. Esse fenômeno não apenas aumentaria a qualidade de vida, mas também dinamizaria a economia regional, fazendo com que o dinheiro circulasse diretamente nas comunidades e no comércio de bairro.
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A pesquisa, financiada pela Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero com apoio da Fundação Rosa Luxemburgo, aponta que o transporte público deve ser visto como um instrumento de justiça social. Ao cruzar dados da Pesquisa Nacional de Mobilidade (PEMOB) e informações de operadoras de transporte, os estudiosos observaram que a atual cobrança de tarifas atua como uma barreira que limita o acesso de populações periféricas a direitos fundamentais. Conforme destacado pelo coordenador do estudo, o professor Thiago Trindade, a ideia de que a locomoção urbana deve ser condicionada ao pagamento é um entrave cultural que precisa ser superado.
Além do impacto econômico, o modelo discutido propõe alternativas de financiamento sustentáveis. Uma das propostas sugere a substituição do atual modelo de vale-transporte por uma contribuição empresarial, inspirada na experiência francesa. Estimativas indicam que, com uma taxa de R$ 250 por funcionário para empresas de maior porte, seria possível arrecadar cerca de R$ 80 bilhões anuais, garantindo o funcionamento do sistema sem a necessidade de novos tributos. O debate sobre a Tarifa Zero ganha força à medida que o transporte é consolidado como um direito constitucional, alinhando-se a um projeto nacional de redução da desigualdade social e ampliação da liberdade de circulação dos cidadãos.






