O Partido Novo, sob a liderança de Eduardo Ribeiro, traçou uma estratégia ambiciosa para o cenário político de 2026, buscando consolidar o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, como o nome central da legenda para a Presidência da República. O movimento é visto internamente como uma tentativa de estabelecer o Novo como uma alternativa legítima da direita, distanciando-se gradualmente do bolsonarismo hegemônico. Entretanto, a execução desse plano enfrenta desafios práticos consideráveis, especialmente no que tange à necessidade de ampliar a base parlamentar e garantir a sobrevivência eleitoral através do cumprimento da cláusula de barreira.
A legislação eleitoral exige que os partidos alcancem metas rigorosas de votos válidos ou um número mínimo de representantes na Câmara dos Deputados para manterem o acesso aos recursos do Fundo Partidário e ao tempo de rádio e TV. Em um movimento de pragmatismo, o Novo decidiu abandonar a política de autofinanciamento adotada em anos anteriores, passando a utilizar o Fundo Eleitoral e Partidário, o que resultou em um crescimento expressivo nas eleições municipais de 2024. Com um orçamento estimado entre R$ 80 e R$ 90 milhões para a próxima disputa geral, a sigla projeta expandir significativamente sua presença no Congresso Nacional, mirando a eleição de até 20 deputados federais.
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Apesar da meta de crescimento, a articulação política de Zema tem gerado tensões internas. Declarações recentes do ex-governador mineiro contra o senador Flávio Bolsonaro criaram desconforto em diretórios estaduais, como Santa Catarina e Paraná, onde o Novo mantém alianças sólidas com o PL. Nestas regiões, as lideranças locais priorizam a unidade da direita e a eficiência eleitoral sobre a retórica nacional de Zema, o que obrigou o pré-candidato a moderar seu tom e redirecionar suas críticas exclusivamente para a atual gestão petista.
O xadrez eleitoral de 2026 torna-se ainda mais complexo com a emergência da chamada "terceira via". Embora Zema apareça em pesquisas ao lado de outros nomes de direita, como Renan Santos, o partido avalia que o pragmatismo deve prevalecer sobre rompimentos definitivos. A orientação nacional do Novo permanece focada na construção de musculatura política, entendendo que, para viabilizar qualquer projeto presidencial futuro, a manutenção de alianças táticas com forças conservadoras aliadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro é, ao menos neste momento, um mal necessário para garantir a sobrevivência e a expansão do partido no legislativo federal e estadual.






