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Estado reconhece perseguição política contra banda pernambucana Ave Sangria durante ditadura militar

Por Redação Arcoverde Agora
Estado reconhece perseguição política contra banda pernambucana Ave Sangria durante ditadura militar

O Estado brasileiro formalizou, em uma decisão histórica, o reconhecimento da perseguição política sofrida pelos integrantes da icônica banda pernambucana Ave Sangria durante o período da ditadura militar. A Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos concedeu aos músicos Marco Polo, Almir de Oliveira e aos herdeiros de Agrício de Carvalho Noya Filho a anistia política, acompanhada de indenização financeira e um pedido formal de desculpas. O julgamento, realizado em Brasília na última quinta-feira (26), representa um passo fundamental para o reparo histórico de danos causados por atos de censura e autoritarismo que silenciaram expressões culturais vibrantes no país.

A trajetória da banda, pioneira no rock psicodélico com elementos da música nordestina, foi bruscamente interrompida logo após o lançamento de seu álbum de estreia, em 1974. A obra, que se tornaria uma referência musical por décadas, foi alvo de censura prévia pelos órgãos de repressão. O principal motivo alegado pela ditadura para a proibição e recolhimento dos discos foi a canção "Seu Valdir", considerada na época um "incentivo à homossexualidade". Segundo Manoel Moraes, conselheiro da Comissão de Anistia, tal postura refletia a homofobia sistêmica e a moralidade autoritária do regime, que impôs prejuízos imensuráveis ao desenvolvimento artístico e à carreira dos integrantes da banda.

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O processo de reparação, fundamentado na Lei 10.559 de 2002, prevê uma pensão mensal e vitalícia de R$ 2 mil para os músicos, além do pagamento de valores retroativos. Para os artistas, o reconhecimento vai além do aspecto financeiro; trata-se de uma vitória da memória e da democracia. Almir de Oliveira, que vivenciou a ascensão e a queda forçada da banda, destacou o trauma vivido diante do cancelamento de contratos e da impossibilidade de continuar a trajetória artística no cenário nacional na época. A banda, que só retornou com novos trabalhos décadas depois, vê na decisão um marco de que episódios de censura não podem ser normalizados ou esquecidos.

O conselheiro Manoel Moraes enfatizou que o parecer favorável aos músicos é também um alerta educativo para a sociedade contemporânea. De acordo com a comissão, a interrupção abrupta da banda por motivações ideológicas causou danos materiais claros que precisam ser reparados. Embora os trâmites administrativos para a liberação dos valores ainda estejam pendentes de portarias governamentais, a decisão já é celebrada como um ato de justiça simbólica. Moraes ressaltou que a porta segue aberta para que outros artistas e personalidades perseguidas pelo regime militar busquem a reparação através da Comissão de Anistia, reforçando o compromisso das instituições democráticas em garantir que tais violações jamais voltem a ocorrer no Brasil.

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