Pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) emitiram um alerta importante para moradores e turistas que visitam o arquipélago de Fernando de Noronha. Devido à recente ocorrência de 'swell', um fenômeno oceanográfico que resulta em ondas de grande porte e forte agitação marítima, a dinâmica da vida marinha na região sofreu alterações significativas. O fenômeno provoca uma movimentação intensa que atrai grandes cardumes de sardinhas para as áreas de costa, criando um cenário de alimentação propício para predadores, especialmente o tubarão-limão.
Segundo Mariana Rêgo, coordenadora do Núcleo de Educação Ambiental do Projeto Ecotuba e pesquisadora da UFRPE, a presença desses peixes nas proximidades da praia atua como um atrativo natural. "Observamos que, logo após o swell, há uma concentração maior de sardinhas. Isso atrai o tubarão-limão em busca de alimento. A recomendação fundamental é que os banhistas evitem entrar na água durante períodos de grande atividade biológica ou agitação do mar, minimizando o risco de interações acidentais", explicou a especialista.
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O risco, conforme ressaltado pelos cientistas, não reside apenas na agressividade do animal, mas em reações instintivas de defesa. Durante o processo de caça, a visibilidade pode ficar comprometida e o banhista pode acabar esbarrando no tubarão, o que pode assustar o espécime e resultar em uma mordida reativa. Este cenário tornou-se evidente no último fim de semana, quando um exemplar adulto de tubarão-limão encalhou na Praia da Cacimba do Padre enquanto se alimentava. Embora tenha retornado ao mar com sucesso, o episódio serve como um lembrete visual da presença desses animais na zona de arrebentação.
Para mitigar os perigos, o Projeto Ecotuba tem intensificado ações de educação ambiental nas areias. As equipes percorrem as praias distribuindo materiais informativos, como marcadores de livros sustentáveis, que contêm diretrizes essenciais. Entre as boas práticas recomendadas estão: respeitar rigorosamente a sinalização dos salva-vidas e do Corpo de Bombeiros, abster-se de alimentar qualquer espécie marinha e evitar o uso de adornos ou objetos brilhantes que possam ser confundidos com presas pelos animais. O trabalho educativo tem sido bem recebido por turistas, que reconhecem na informação a principal ferramenta para uma convivência harmoniosa e segura com a rica fauna marinha de Fernando de Noronha.






