A rede Starbucks na Coreia do Sul protagonizou um dos maiores escândalos corporativos recentes no país após lançar uma campanha de marketing que gerou revolta imediata na população. A empresa, operada pelo grupo Shinsegae, anunciou medidas drásticas para conter a crise reputacional, incluindo o fechamento antecipado de todas as suas unidades em território sul-coreano no próximo dia 22 de junho. O objetivo da paralisação é realizar um treinamento obrigatório focado em história e sensibilidade social para todos os seus colaboradores.
A polêmica teve início quando a marca promoveu uma linha de copos térmicos chamada "SS Tank", incentivando o público a celebrar o dia 18 de maio como "Tank Day". A data, porém, é um marco traumático da história sul-coreana: ela remete ao levante pró-democracia de 1980 na cidade de Gwangju, evento violentamente reprimido por tanques, tropas e helicópteros do governo militar, resultando em centenas de mortes. Além disso, a campanha utilizou o slogan "Bata na mesa!", expressão associada a um caso de encobrimento policial de uma morte por tortura ocorrida em 1987.
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Diante da gravidade do erro, o grupo Shinsegae agiu rapidamente para estancar a crise. O CEO da Starbucks Korea foi demitido e o presidente do grupo, Chung Yong-jin, emitiu um pedido de desculpas público em rede nacional. O treinamento que será ministrado aos funcionários contará com a participação de historiadores e sociólogos renomados, visando garantir que a equipe compreenda a importância histórica desses eventos e evite a repetição de ofensas similares no futuro.
Este episódio é inédito nos 25 anos de atuação da Starbucks no país. A repressão em Gwangju, iniciada sob o regime do general Chun Doo-hwan, permanece como uma ferida aberta na sociedade sul-coreana. Ativistas estimam que o número de vítimas fatais daquele período seja muito superior aos registros oficiais, e a memória das lutas democráticas de 1980 e 1987 é tratada com extrema seriedade pelo povo sul-coreano. A resposta da Starbucks, embora drástica, reflete a necessidade das empresas globais de compreenderem os contextos sociopolíticos locais onde operam, sob pena de enfrentarem boicotes e sanções legais.






