Um grave erro de identificação ocorrido no Serviço de Verificação de Óbito (SVO) do Recife gerou um transtorno profundo e uma verdadeira odisseia burocrática para duas famílias pernambucanas. O incidente, que envolveu a troca dos corpos de Railda Mendes Malafaia, de 77 anos, e de Anerina Maria da Silva, de 80, expôs falhas críticas nos protocolos da Polícia Científica e do Instituto de Medicina Legal (IML). A situação veio à tona quando os familiares de Railda, ao se prepararem para o velório no Cemitério de Santo Amaro, constataram que a pessoa no caixão não era sua ente querida. O choque foi imediato ao observarem características físicas distintas, confirmando a suspeita de um equívoco administrativo inaceitável.
Segundo apurações, o erro teve origem na troca dos Números de Identificação de Cadáver (NIC), uma etiqueta de segurança essencial para o controle de óbitos. Enquanto o corpo de Railda era enviado para um sepultamento em Carpina, na Zona da Mata Norte, o corpo de Anerina era liberado para a família de Railda no Recife. A família de Railda, em meio ao luto pela perda repentina, viu-se obrigada a iniciar uma busca incessante para corrigir o erro, enquanto o corpo de sua familiar permanecia enterrado indevidamente em um cemitério público sob a identificação de outra pessoa.
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A gravidade da situação escalou para a esfera jurídica, com a família de Railda conseguindo uma liminar em tutela de urgência na última terça-feira (5). O juiz Rafael Burgarelli Mendonça Telles determinou que o Estado de Pernambuco proceda com a exumação e o traslado dos corpos dentro de um prazo estipulado de 48 horas. A decisão judicial destaca o risco de dano irreparável e o prolongamento desnecessário do sofrimento das famílias, que se viram privadas de um velório digno e respeitoso. O laudo pericial, que deveria atestar a causa da morte de Railda, também foi comprometido pela troca, prejudicando a compreensão clínica dos familiares sobre o falecimento.
Até o momento, a Secretaria de Defesa Social e a Procuradoria Geral do Estado não apresentaram um posicionamento concreto sobre as medidas corretivas que serão adotadas para garantir o cumprimento da ordem judicial. A expectativa dos familiares é que a exumação ocorra com a máxima brevidade, permitindo que as vítimas sejam adequadamente veladas por seus parentes. O caso levanta questionamentos importantes sobre a fiscalização dos protocolos no SVO e no IML, evidenciando a necessidade de revisão urgente dos processos de identificação de corpos no estado para evitar que equívocos dessa natureza voltem a vitimizar pessoas que já enfrentam o doloroso momento da despedida.






