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Endividamento crônico: Especialista alerta para riscos da cultura do parcelamento no Brasil

Por Redação Arcoverde Agora
Endividamento crônico: Especialista alerta para riscos da cultura do parcelamento no Brasil

O cenário econômico das famílias brasileiras enfrenta um desafio sem precedentes, marcado pela consolidação do crédito como pilar do consumo doméstico. Segundo o geógrafo Kauê Lopes dos Santos, pesquisador e autor do livro 'Parcelado', a dependência das prestações a longo prazo não apenas compromete a renda mensal, mas cria uma lógica de endividamento crônico difícil de ser revertida por medidas isoladas. O especialista aponta que, em muitos casos, o parcelamento tornou-se a única via para a aquisição de itens básicos, como alimentos e vestuário, revelando a precariedade estrutural que ainda afeta grande parte da população.

Em meio a esse contexto, programas governamentais como o 'Desenrola' surgem como tentativas de alívio imediato para os inadimplentes. Embora essas ações sejam fundamentais para retirar milhões de pessoas da lista de negativação e injetar fôlego na economia, Santos alerta para o risco de se criar uma cultura de renegociação cíclica. Ao focar apenas no alívio de curto prazo, o país pode estar negligenciando a necessidade de reformas estruturais, como a revisão das taxas de juros abusivas e o estímulo ao aumento real da renda dos trabalhadores, fatores que impediriam a recorrência do superendividamento.

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O pesquisador destaca ainda que a sofisticação das ferramentas de consumo, aliada à publicidade constante e à obsolescência programada, coloca o consumidor em uma armadilha financeira. A alienação do futuro torna-se uma constante, visto que o orçamento doméstico é comprometido meses ou anos à frente por compras realizadas no presente. Este cenário é agravado pela recente ascensão das apostas virtuais (bets), que drenam recursos destinados às necessidades básicas, forçando muitas famílias a recorrerem a linhas de crédito emergenciais com juros ainda mais elevados.

Para mitigar essa crise, Santos sugere que as políticas públicas devem ser combinadas. A educação financeira, embora importante, precisa de uma abordagem crítica que permita ao cidadão compreender o funcionamento do sistema bancário e das taxas de juros, em vez de apenas focar no controle doméstico. Além disso, a regulação do mercado de apostas e a valorização do salário são passos essenciais para romper esse ciclo de insolvência. O desafio, segundo o geógrafo, é transformar uma 'inclusão financeira' puramente baseada no crédito em uma inclusão baseada na estabilidade e na qualidade de vida real.

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